Bursite Trocantérica: Sintomas, Causas e Tratamento

Entenda os sintomas da bursite trocantérica, o que pode causar dor na lateral do quadril e como são feitos o diagnóstico e o tratamento.

Dr. Gabriel Benevides

7/15/20269 min read

Pessoa com dor na lateral do quadril e representação da bursa trocantérica
Pessoa com dor na lateral do quadril e representação da bursa trocantérica

Bursite Trocantérica: Sintomas, Causas e Tratamento

A bursite trocantérica é uma das condições frequentemente associadas à dor na lateral do quadril. O desconforto costuma piorar ao deitar sobre o lado afetado, caminhar, subir escadas ou permanecer muito tempo em pé.

Entretanto, nem toda dor nessa região é causada apenas pela inflamação da bursa. Em muitos pacientes, os tendões dos músculos glúteos também participam do quadro. Por isso, uma avaliação cuidadosa é importante para definir quais estruturas estão envolvidas e orientar o tratamento.

Índice

  • O que é bursite trocantérica?

  • Bursite trocantérica e síndrome dolorosa trocantérica são a mesma coisa?

  • Quais são os sintomas?

  • O que causa bursite trocantérica?

  • Quem apresenta maior risco?

  • Como é feito o diagnóstico?

  • Quando são necessários exames?

  • Como é o tratamento?

  • Quais cuidados podem reduzir a sobrecarga?

  • Quando a infiltração pode ser considerada?

  • Bursite trocantérica precisa de cirurgia?

  • Quanto tempo leva para melhorar?

  • Quando procurar um especialista?

  • Perguntas frequentes

O que é bursite trocantérica?

Bursas são pequenas bolsas que contêm uma pequena quantidade de líquido e ficam entre ossos, tendões e outros tecidos. Elas ajudam a reduzir o atrito durante os movimentos.

Na parte lateral do quadril existe o grande trocânter, uma proeminência óssea do fêmur onde se inserem tendões importantes. As bursas trocantéricas ficam próximas dessa região. Quando uma delas apresenta irritação ou inflamação, o quadro pode ser chamado de bursite trocantérica.

A dor costuma ser superficial e localizada na parte externa do quadril. Em alguns casos, ela se espalha pela lateral da coxa, mas geralmente não ultrapassa o joelho.

O sintoma pode começar após aumento de atividade, trauma direto ou período prolongado de sobrecarga, embora nem sempre exista um evento específico.

Bursite trocantérica e síndrome dolorosa trocantérica são a mesma coisa?

Os termos são relacionados, mas não são exatamente sinônimos.

Durante muito tempo, grande parte das dores laterais do quadril foi atribuída à inflamação da bursa. Com o avanço dos exames e do conhecimento sobre a região, observou-se que os tendões do glúteo médio e do glúteo mínimo frequentemente também estão envolvidos.

Por isso, utiliza-se a expressão síndrome dolorosa trocantérica para abranger diferentes causas de dor ao redor do grande trocânter, incluindo bursite, tendinopatia glútea, lesões dos tendões e ressalto externo do quadril.

Na prática, muitos pacientes chegam à consulta com o diagnóstico de “bursite”, mas a avaliação pode identificar participação predominante dos tendões. Essa distinção influencia a reabilitação e ajuda a evitar tratamentos baseados apenas no controle temporário da inflamação.

Saiba mais em: Dor Lateral no Quadril: Quais São as Causas Mais Comuns?

Saiba mais em: Tendinopatia Glútea: Sintomas e Tratamento

Quais são os sintomas da bursite trocantérica?

O sintoma mais característico é a dor na parte externa do quadril, próxima à proeminência óssea que pode ser palpada na lateral da coxa. A região costuma ficar sensível ao toque ou à pressão.

A dor pode piorar nas seguintes situações:

  • deitar sobre o lado doloroso;

  • dormir sobre o lado oposto sem apoio adequado entre as pernas;

  • caminhar por distâncias maiores;

  • subir ou descer escadas;

  • levantar-se de cadeiras baixas;

  • permanecer apoiado em apenas uma perna;

  • correr ou aumentar rapidamente o volume de exercícios;

  • ficar em pé por períodos prolongados.

Algumas pessoas apresentam dor noturna e dificuldade para encontrar uma posição confortável. Também pode existir sensação de fraqueza, fadiga na lateral do quadril ou alteração da marcha.

Dor profunda na virilha, grande perda de mobilidade ou dificuldade para calçar sapatos e meias podem sugerir participação da articulação, como na artrose.

Formigamento, choque e dor que se estende abaixo do joelho exigem considerar alterações da coluna ou dos nervos.

Saiba mais em: Dor no Quadril ao Deitar de Lado: Por Que Acontece?

O que causa bursite trocantérica?

A bursite pode ocorrer por atrito, compressão ou sobrecarga repetitiva das estruturas laterais do quadril. Geralmente existe uma combinação de fatores.

Mudanças bruscas no volume de caminhada ou corrida, aumento de subidas e escadas e exercícios acima da capacidade atual podem desencadear sintomas. Um impacto direto, como queda sobre a lateral do corpo, também pode irritar a bursa.

Deitar sobre o quadril, cruzar as pernas ou permanecer com o peso concentrado em um membro aumenta a compressão local.

Fraqueza dos músculos que estabilizam a pelve e alterações da marcha também podem contribuir para a distribuição inadequada das cargas.

Quem apresenta maior risco?

A síndrome dolorosa trocantérica é observada com maior frequência em mulheres de meia-idade e pessoas mais velhas, mas também ocorre em homens, jovens e atletas.

Aumento recente de exercícios, trauma direto, fraqueza glútea, alterações da marcha, problemas da coluna, artrose e cirurgias prévias no quadril podem estar associados.

Esses fatores não confirmam o diagnóstico. Apenas ajudam a compreender por que a região pode estar recebendo mais carga do que tolera naquele momento.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é principalmente clínico. O médico avalia a localização, o início dos sintomas e as atividades que pioram o quadro.

No exame físico, são investigados sensibilidade sobre o grande trocânter, força glútea, marcha e dor em testes contra resistência. A combinação dos achados é mais útil do que um teste isolado.

O quadril, a coluna lombar e o joelho podem ser examinados para afastar outras fontes de dor. Artrose, impacto femoroacetabular, lesão do labrum, dor radicular e síndrome glútea profunda podem produzir sintomas parcialmente semelhantes.

Saiba mais em: Dor no Quadril: Principais Causas e Sinais de Alerta

Quando são necessários exames de imagem?

Nem todo quadro típico precisa de ressonância.

A radiografia pode avaliar artrose, calcificações e outras possíveis causas. A ultrassonografia examina bursas e tendões superficiais e pode orientar procedimentos, enquanto a ressonância detalha os tendões glúteos.

Esses exames são considerados diante de dúvida diagnóstica, sintomas persistentes, perda de força ou suspeita de lesão tendínea relevante.

Alterações de imagem precisam ser relacionadas ao quadro clínico. Pequenas quantidades de líquido na bursa ou sinais tendíneos podem aparecer em pessoas sem sintomas e não devem, sozinhos, definir o tratamento.

Saiba mais em: Qual Exame Detecta Problemas no Quadril?

Como é o tratamento da bursite trocantérica?

Na maioria dos casos, o tratamento é não cirúrgico. A estratégia depende do tempo de sintomas, das estruturas envolvidas, da intensidade da dor e dos fatores que mantêm a sobrecarga.

O plano pode combinar orientação sobre atividades, redução temporária das cargas irritantes, fisioterapia e medicamentos quando apropriados.

O objetivo não é manter repouso absoluto, mas encontrar um nível de atividade que não provoque piora persistente e permita recuperação progressiva.

Quando existe tendinopatia associada, apenas reduzir a dor pode não ser suficiente. É necessário recuperar a capacidade dos tendões e músculos de suportar as demandas da marcha, das escadas, do trabalho e da atividade física.

Ajuste de atividades e controle da compressão

Nas fases mais dolorosas, pode ser necessário reduzir temporariamente caminhadas longas, corridas, ladeiras e exercícios que reproduzem dor relevante. Isso não significa abandonar definitivamente essas atividades.

Também pode ajudar evitar permanecer com o peso concentrado em uma perna, cruzar as pernas por longos períodos e dormir diretamente sobre o lado doloroso.

Ao deitar sobre o lado oposto, um travesseiro entre os joelhos pode manter o quadril em posição mais confortável.

Essas mudanças devem ser individualizadas. Restrições excessivas podem causar perda de força e dificultar o retorno às atividades.

Fisioterapia e fortalecimento

A fisioterapia costuma ter papel central, especialmente quando os tendões glúteos participam.

O programa pode incluir educação sobre carga, fortalecimento progressivo, controle da pelve e adaptação dos movimentos dolorosos.

Os exercícios precisam corresponder à capacidade atual. A evolução é avaliada pela resposta durante e após a atividade, pela marcha, pela força e pela tolerância às cargas.

Não existe uma sequência única adequada para todas as pessoas.

Medicamentos

Analgésicos ou anti-inflamatórios podem ser considerados por períodos determinados, conforme avaliação médica.

Como possuem contraindicações e possíveis interações, a automedicação deve ser evitada. Esses medicamentos podem ajudar a controlar os sintomas, mas não corrigem isoladamente fatores de sobrecarga ou fraqueza.

Quando a infiltração pode ser considerada?

A infiltração com corticoide pode proporcionar alívio em alguns casos, sobretudo no curto prazo.

Ela pode ser considerada quando a dor dificulta o sono, a marcha ou a participação na reabilitação, após análise das vantagens e limitações.

O efeito não é igual para todos e pode ser temporário. Infiltrações repetidas sem reavaliação da causa devem ser evitadas, pois o uso excessivo de corticoide pode afetar os tecidos próximos.

Quando indicada, a aplicação pode ser guiada por ultrassonografia para posicionamento preciso.

A decisão não deve ser baseada apenas na intensidade da dor. É importante identificar se o componente predominante é bursal, tendíneo ou misto e manter um plano de recuperação da função.

Saiba mais em: Infiltração no Quadril: Quando Pode Ajudar?

Bursite trocantérica precisa de cirurgia?

A cirurgia é raramente necessária. A maioria dos pacientes pode ser tratada com medidas conservadoras bem planejadas e progressivas.

Nos quadros persistentes, é importante revisar o diagnóstico antes de considerar um procedimento. Uma dor que não melhora pode estar associada a lesão dos tendões glúteos, alteração da coluna, artrose ou outro problema que exija uma estratégia diferente.

Quando existe ruptura relevante dos tendões, perda de força e limitação que permanecem apesar do tratamento adequado, pode ser discutido reparo tendíneo.

A retirada da bursa ou outros procedimentos são reservados para situações selecionadas.

Saiba mais em: Lesão do Glúteo Médio: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Quanto tempo leva para a bursite trocantérica melhorar?

O tempo de recuperação varia. Quadros recentes e com fatores desencadeantes facilmente ajustáveis podem melhorar em algumas semanas.

Sintomas de longa duração, tendinopatia associada ou perda importante de força costumam exigir reabilitação por alguns meses.

A melhora nem sempre acontece de forma linear. Aumentos rápidos de carga, noites mal dormidas ou atividades incomuns podem causar oscilações temporárias.

O mais importante é observar a tendência ao longo das semanas e ajustar o programa quando a dor permanece progressivamente pior.

Interromper a reabilitação assim que a dor diminui pode favorecer recorrência se a capacidade muscular ainda não foi recuperada. O retorno a caminhadas longas, corrida e esportes deve ser gradual.

Quando procurar um especialista em quadril?

Uma avaliação é indicada quando a dor persiste, interfere no sono, altera a marcha ou limita trabalho e atividade física.

Também é recomendada diante de fraqueza, queda recente, perda de mobilidade ou falha de um tratamento já realizado.

Procure atendimento com maior rapidez se houver:

  • dor intensa após trauma;

  • incapacidade de apoiar o membro;

  • febre;

  • vermelhidão importante;

  • quadril quente;

  • inchaço progressivo.

Esses achados não são típicos de uma bursite simples e exigem investigação de outras condições.

Perguntas frequentes sobre bursite trocantérica

Bursite trocantérica causa dor na virilha?

O padrão mais comum é dor na lateral do quadril. Dor predominantemente profunda na virilha sugere investigar a própria articulação ou outras estruturas.

Mais de uma condição pode estar presente ao mesmo tempo.

Posso caminhar com bursite no quadril?

Em muitos casos, sim, desde que a distância e a intensidade não provoquem piora importante durante ou após a atividade.

Quando existe claudicação ou dor crescente, a carga precisa ser reduzida e reavaliada.

Dormir sobre o lado doloroso piora a bursite?

A pressão direta pode aumentar a compressão da bursa e dos tendões, piorando a dor.

Durante a fase sintomática, costuma ser útil evitar o lado afetado e usar apoio entre os joelhos ao dormir sobre o lado oposto.

Bursite trocantérica tem cura?

Muitos pacientes apresentam melhora significativa com tratamento conservador.

O resultado e o tempo necessário dependem das estruturas envolvidas, da duração dos sintomas e da correção dos fatores de sobrecarga. Não é possível prometer um resultado universal.

Gelo ou calor podem ser usados?

O gelo pode proporcionar alívio temporário após atividades ou em fases mais dolorosas, sempre protegido por tecido para evitar lesões na pele.

Algumas pessoas preferem calor para conforto muscular. Essas medidas são auxiliares e não substituem o tratamento da causa.

Alongamento resolve a bursite?

Alongamento isolado não costuma ser suficiente, e algumas posições podem aumentar a compressão lateral do quadril.

A escolha dos exercícios deve considerar mobilidade, força, controle do movimento e tolerância individual.

A bursite pode voltar?

Pode. Recorrências são possíveis quando ocorre novo aumento abrupto de carga ou quando a força e a capacidade dos tendões não foram recuperadas.

Manter atividade física progressiva e reconhecer sinais iniciais pode ajudar a reduzir novos episódios.

Conclusão

A bursite trocantérica pode causar dor na parte externa do quadril, especialmente ao deitar de lado, caminhar e subir escadas.

Entretanto, muitos quadros envolvem também os tendões glúteos e são melhor compreendidos dentro da síndrome dolorosa trocantérica.

O diagnóstico é principalmente clínico, e os exames são reservados para situações selecionadas. Ajuste de carga, redução temporária da compressão e fortalecimento progressivo formam a base do tratamento na maior parte dos casos.

Infiltrações e outros procedimentos dependem de indicação individual, enquanto a cirurgia é pouco frequente.

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Referências médicas

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  • Mellor R. et al. Education Plus Exercise versus Corticosteroid Injection versus Wait and See for Gluteal Tendinopathy. The BMJ, 2018.

  • Kinsella R. et al. Diagnostic Accuracy of Clinical Tests for Greater Trochanteric Pain Syndrome. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, 2024.

  • Cordeiro T. T. P. et al. Effects of Exercise-Based Interventions on Gluteal Tendinopathy: Systematic Review with Meta-analysis. Scientific Reports, 2024.

  • Pianka M. A. et al. Greater Trochanteric Pain Syndrome: Evaluation and Management of a Wide Spectrum of Pathology.

  • National Health Service. Greater Trochanteric Pain Syndrome: Patient Guidance.

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