Displasia do Quadril em Adultos: Sintomas e Tratamento

Entenda os sintomas da displasia do quadril em adultos, como é feito o diagnóstico e quando fisioterapia, osteotomia ou prótese podem ser indicadas.

Dr. Gabriel Benevides

7/16/20269 min read

Ilustração anatômica da displasia do quadril em adulto, mostrando cobertura reduzida da cabeça do fê
Ilustração anatômica da displasia do quadril em adulto, mostrando cobertura reduzida da cabeça do fê

Displasia do Quadril em Adultos: Sintomas e Tratamento

A displasia do quadril em adultos ocorre quando o acetábulo não oferece cobertura adequada para a cabeça do fêmur. Essa característica pode aumentar a carga sobre o labrum e a cartilagem, favorecer instabilidade e contribuir para dor na virilha ou desgaste precoce da articulação.

Algumas pessoas chegam à vida adulta sem saber que possuem displasia. Outras foram tratadas na infância, mas mantiveram alterações residuais. A presença da anatomia na radiografia, entretanto, não significa automaticamente que haverá dor ou necessidade de cirurgia. O tratamento depende dos sintomas, da estabilidade, do estado da cartilagem e das características de cada quadril.

Índice

  • O que é displasia do quadril em adultos?

  • Por que a displasia pode causar dor?

  • Quais são os principais sintomas?

  • A displasia pode aparecer somente na vida adulta?

  • Como é feito o diagnóstico?

  • Quais exames podem ser necessários?

  • O que significa displasia limítrofe?

  • Como é o tratamento sem cirurgia?

  • Quando a osteotomia pode ser indicada?

  • Qual é o papel da artroscopia?

  • Quando a prótese pode ser considerada?

  • Como é a recuperação após a cirurgia?

  • Perguntas frequentes

O que é displasia do quadril em adultos?

O quadril é formado pela cabeça do fêmur e pelo acetábulo, cavidade da pelve que funciona como encaixe. Na displasia acetabular, essa cavidade pode ser mais rasa ou estar orientada de forma que a cobertura óssea da cabeça femoral seja insuficiente.

Com menor cobertura, a carga se concentra em uma área menor da articulação. Existem diferentes padrões: a deficiência pode ser lateral, anterior ou posterior e coexistir com alterações da rotação do fêmur. Por isso, a displasia não deve ser definida apenas como um “acetábulo raso”.

Por que a displasia do quadril pode causar dor?

A dor pode resultar da combinação entre sobrecarga da borda do acetábulo, instabilidade, lesão do labrum e dano da cartilagem. Os músculos ao redor da articulação também podem trabalhar mais para estabilizar o quadril.

O labrum contribui para a vedação e a estabilidade. Quando a cobertura óssea é insuficiente, ele recebe carga aumentada. A lesão labral é frequente em pacientes sintomáticos, mas precisa ser analisada junto com a anatomia óssea e o estado da cartilagem.

Saiba mais em: Lesão do Labrum do Quadril: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Quais são os sintomas da displasia do quadril em adultos?

O sintoma mais frequente é a dor profunda na parte anterior do quadril ou na virilha, inicialmente durante atividades e, em alguns casos, também nas tarefas cotidianas.

Outras manifestações possíveis incluem:

  • dor ao caminhar, correr ou permanecer em pé;

  • piora ao subir escadas, agachar ou mudar de direção;

  • desconforto após ficar sentado por muito tempo;

  • estalo, clique ou travamento doloroso;

  • sensação de instabilidade ou cansaço no quadril;

  • redução de mobilidade ou alteração da marcha;

  • dor lateral ou glútea em alguns casos.

O início costuma ser gradual. Como esses sintomas também aparecem em outras condições, sua presença não confirma displasia.

A dor ocorre sempre na virilha?

Não. A dor também pode ser percebida na lateral do quadril, na coxa ou na região glútea. Tendões e coluna lombar podem produzir sintomas semelhantes ou coexistir com a displasia.

Saiba mais em: Dor na Virilha: Quando Pode Vir do Quadril?

A displasia pode aparecer somente na vida adulta?

A alteração anatômica se desenvolve durante o crescimento, mas os sintomas podem surgir somente na adolescência ou na vida adulta. Alguns pacientes não tiveram diagnóstico na infância; outros mantiveram displasia residual após tratamento infantil.

O acetábulo não se torna raso repentinamente. Em geral, a anatomia já existia e passou a produzir sintomas após mudança de atividade, aumento de carga ou lesão associada. Sexo feminino, apresentação pélvica ao nascimento e histórico familiar aumentam a ocorrência, mas muitos adultos não reconhecem fatores de risco.

É possível ter displasia nos dois quadris?

Sim. A alteração pode ser bilateral, embora apenas um lado cause sintomas. Um quadril sem dor não é tratado apenas porque apresenta determinada medida radiográfica.

Quando procurar avaliação médica?

É indicado procurar avaliação quando a dor na virilha ou no quadril persiste, retorna com frequência ou limita caminhada, trabalho, sono ou exercícios. Estalos dolorosos, travamento, perda de movimento, sensação de instabilidade e alteração da marcha também justificam investigação.

Depois de uma queda ou trauma, incapacidade de sustentar o peso, deformidade ou dor intensa exigem atendimento mais breve. Febre, vermelhidão importante, perda de sensibilidade ou fraqueza progressiva também são sinais para avaliação sem demora.

Saiba mais em: Dor no Quadril: Principais Causas e Sinais de Alerta

Como é feito o diagnóstico da displasia do quadril?

O diagnóstico combina sintomas, exame físico e exames de imagem. Uma medida alterada na radiografia não é suficiente para concluir que a displasia seja a causa da dor nem para definir o tratamento.

Na consulta, são avaliados:

  • início, localização e comportamento da dor;

  • relação dos sintomas com caminhada, esporte e posições do quadril;

  • tratamento na infância e histórico familiar;

  • estalos, travamentos e sensação de instabilidade;

  • mobilidade e força muscular;

  • marcha e apoio sobre uma perna;

  • hipermobilidade e estruturas ao redor do quadril.

Manobras de flexão, rotação e instabilidade ajudam no raciocínio, mas não confirmam o diagnóstico isoladamente. Tendinopatias, pubalgia, hérnia e alterações da coluna estão entre as possíveis causas semelhantes.

Qual exame detecta displasia do quadril em adultos?

A radiografia da pelve e do quadril costuma ser o exame inicial. Ela avalia cobertura da cabeça femoral, inclinação acetabular, congruência e presença de artrose. Ressonância ou tomografia podem complementar a investigação.

Radiografia

A radiografia precisa de posicionamento adequado, pois a rotação ou inclinação da pelve modifica as medidas. Projeções adicionais podem avaliar cobertura anterior e formato do fêmur.

Entre os parâmetros estão o ângulo centro-borda lateral, a inclinação acetabular e medidas de cobertura anterior e posterior. Nenhum descreve sozinho toda a anatomia ou a estabilidade.

Ressonância magnética

A ressonância demonstra labrum, cartilagem, osso e cápsula. Uma lesão labral não significa que o tratamento deva ser dirigido apenas ao labrum; o achado precisa ser relacionado à cobertura e à estabilidade.

Tomografia computadorizada

A tomografia detalha a orientação do acetábulo, o formato do fêmur e as rotações ósseas. É reservada principalmente para anatomias complexas e planejamento cirúrgico.

Infiltração diagnóstica

Quando há dúvida sobre a origem da dor, uma infiltração guiada com anestésico pode ajudar. A resposta sugere participação intra-articular, mas não mede a gravidade nem define o tratamento.

Saiba mais em: Radiografia ou Ressonância do Quadril: Qual Exame é Indicado?

O que significa displasia limítrofe do quadril?

O termo “displasia limítrofe” ou “borderline” costuma ser usado quando medidas de cobertura estão próximas da faixa considerada normal. Entretanto, pessoas com o mesmo ângulo podem apresentar instabilidade, impacto ou combinações diferentes.

A análise deve incluir múltiplas medidas, rotação dos ossos, cápsula, labrum, cartilagem, mobilidade e sintomas. Essa avaliação é especialmente importante antes de uma artroscopia.

Displasia do quadril causa artrose?

A displasia é um fator de risco para artrose porque concentra pressão em uma área menor da cartilagem. Isso não significa que toda pessoa desenvolverá desgaste sintomático ou que seja possível prever quando ocorrerá.

O estado da cartilagem é decisivo para escolher entre preservação e substituição da articulação.

Saiba mais em: Artrose do Quadril: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Como é o tratamento da displasia do quadril sem cirurgia?

Nem todo adulto com displasia precisa de cirurgia. Em quadros leves, sintomas iniciais, ausência de limitação importante ou quando a relação entre anatomia e dor ainda não está clara, o tratamento pode começar de forma conservadora.

O plano pode incluir:

  • ajuste temporário das atividades provocativas;

  • organização da carga de caminhada ou treino;

  • fisioterapia para força e controle do movimento;

  • fortalecimento de glúteos e musculatura do tronco;

  • retorno gradual às atividades;

  • medicamentos para os sintomas, quando indicados.

O tratamento conservador não aumenta a cobertura óssea. Seu objetivo é controlar sintomas, melhorar a capacidade muscular e verificar quanto da limitação pode ser tratado sem procedimento.

Quais exercícios podem ajudar?

Exercícios para glúteos, rotadores do quadril e tronco podem melhorar o controle da pelve. Pessoas hipermóveis nem sempre precisam ganhar mais mobilidade; força e controle podem ser prioridades. Dor intensa, alteração da marcha ou piora persistente indicam necessidade de ajustar a carga.

Posso caminhar ou praticar esportes?

Muitas pessoas mantêm atividades adaptadas. Pode ser necessário reduzir impacto, distância ou movimentos profundos. Bicicleta, exercícios na água e treino de força podem ser alternativas conforme a tolerância.

Medicamentos ou infiltrações corrigem a displasia?

Não. Medicamentos podem controlar temporariamente os sintomas, mas não modificam a cobertura. Infiltrações podem ter finalidade diagnóstica ou proporcionar alívio temporário, considerando benefícios, limitações e riscos.

Quando a cirurgia pode ser indicada?

A cirurgia pode ser considerada quando há sintomas persistentes e relevantes, relação consistente entre dor e displasia, limitação funcional e resposta insuficiente ao tratamento conservador.

A decisão considera:

  • grau e padrão da falta de cobertura;

  • presença de instabilidade;

  • congruência entre a cabeça do fêmur e o acetábulo;

  • condição do labrum e da cartilagem;

  • presença e intensidade da artrose;

  • mobilidade, saúde e expectativas;

  • atividades e tratamentos anteriores.

Não há um único número ou limite de idade que determine a indicação. A escolha depende da possibilidade de preservar uma articulação com cartilagem viável.

O que é osteotomia periacetabular?

A osteotomia periacetabular é uma cirurgia de preservação. Cortes controlados ao redor do acetábulo permitem reorientá-lo, aumentando a cobertura da cabeça femoral e redistribuindo as cargas.

O procedimento mantém a articulação natural e costuma ser considerado em pacientes sintomáticos com congruência e cartilagem preservadas. Não é indicado apenas para “corrigir a radiografia”. Em casos selecionados, procedimentos adicionais podem tratar o fêmur, o labrum ou a cartilagem.

Qual é o papel da artroscopia na displasia?

A artroscopia trata labrum, cartilagem e algumas alterações ósseas por pequenas incisões, mas não corrige a cobertura acetabular insuficiente.

Na displasia com instabilidade, a artroscopia isolada pode deixar o problema estrutural sem tratamento. Em casos limítrofes, pacientes selecionados podem se beneficiar quando predomina impacto e são preservados labrum e cápsula; outros necessitam de reorientação acetabular. A escolha não deve ser feita por um único ângulo.

Saiba mais em: Artroscopia do Quadril: Quando é Indicada e Como é a Recuperação

Quando a prótese de quadril pode ser considerada?

Quando existe artrose avançada, perda importante de cartilagem, rigidez e dor limitante, a preservação pode ter resultado menos previsível. A artroplastia total pode ser avaliada conforme sintomas, função, condições clínicas e resposta aos tratamentos anteriores. Em deformidades acentuadas, o planejamento precisa considerar a anatomia específica.

Como é a recuperação após a osteotomia periacetabular?

A recuperação ocorre em etapas e é medida em meses. Inicialmente, costumam ser utilizadas muletas e há limitação de apoio para permitir consolidação óssea.

A fisioterapia progride da mobilidade protegida para marcha, fortalecimento e atividades funcionais. O retorno ao trabalho e ao esporte depende da consolidação, das exigências da atividade, da força e dos sintomas; não existe prazo único.

Perguntas frequentes sobre displasia do quadril em adultos

Displasia do quadril tem cura?

A fisioterapia pode controlar sintomas, mas não modifica a anatomia. Quando indicada, a osteotomia reorienta o acetábulo para preservar a articulação. O resultado depende da cartilagem, congruência e características individuais.

Toda displasia precisa ser operada?

Não. Pessoas sem sintomas não são operadas apenas por uma medida radiográfica. A cirurgia é considerada quando sintomas, limitação, anatomia e estado da articulação justificam o procedimento.

A fisioterapia pode piorar a instabilidade?

Um programa adequado melhora força e controle. Alongamentos excessivos ou amplitudes extremas podem agravar sintomas em pessoas instáveis; o plano deve considerar rigidez e hipermobilidade.

A lesão do labrum deve ser operada primeiro?

Não necessariamente. Tratar apenas a lesão pode ser insuficiente quando a falta de cobertura é o principal fator de sobrecarga.

A radiografia normal exclui displasia?

Uma radiografia mal posicionada ou analisada por uma única medida pode não demonstrar alterações sutis. Exames adicionais dependem da suspeita clínica.

Displasia limítrofe é sempre menos grave?

Não. O termo descreve uma faixa de medidas, mas não informa sozinho se há instabilidade, dano da cartilagem ou limitação importante.

Quem fez tratamento na infância precisa de acompanhamento na vida adulta?

Depende da anatomia e dos sintomas. Dor, perda de movimento, alteração da marcha ou limitação funcional merecem reavaliação, pois pode existir displasia residual.

Conclusão

A displasia do quadril em adultos pode aumentar a carga sobre labrum e cartilagem, provocando dor na virilha, limitação para atividades e sensação de instabilidade.

O diagnóstico não deve se basear em uma medida isolada. Sintomas, exame físico, parâmetros radiográficos, estabilidade, cartilagem e grau de artrose precisam ser avaliados em conjunto.

O tratamento varia de reabilitação a osteotomia ou prótese. A escolha depende do estágio da articulação e das características do paciente, sem indicação automática de cirurgia pela presença da displasia na imagem.

Referências médicas

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