Artrose do Quadril: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
Entenda os sintomas da artrose do quadril, como é feito o diagnóstico e quais tratamentos podem ajudar a controlar a dor e preservar a mobilidade.
Dr, Gabriel Benevides
3/13/202610 min read


Artrose do Quadril: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
A artrose do quadril, também chamada de coxartrose, é uma doença crônica que provoca alterações progressivas na articulação. Ela pode causar dor, rigidez e dificuldade para realizar atividades simples, como caminhar, levantar de uma cadeira, calçar os sapatos ou entrar no carro.
Embora seja mais frequente com o avanço da idade, a artrose também pode aparecer em pessoas mais jovens, especialmente quando existem alterações no formato da articulação, doenças prévias ou histórico de trauma no quadril.
O tratamento depende da intensidade dos sintomas, das limitações funcionais e das características de cada paciente. Nem toda pessoa com artrose precisa de cirurgia, e a radiografia isoladamente não determina qual tratamento deve ser realizado.
Neste artigo, você entenderá:
o que acontece na articulação com artrose;
quais são os sintomas mais frequentes;
como é feito o diagnóstico;
quais tratamentos podem ser considerados;
em quais situações uma avaliação especializada é importante.
O que é a artrose do quadril?
O quadril é formado pelo encaixe entre a cabeça do fêmur, de formato aproximadamente esférico, e o acetábulo, uma cavidade localizada na bacia.
As superfícies desses ossos são recobertas por cartilagem articular. Essa cartilagem reduz o atrito e permite que o quadril se movimente de maneira suave.
Na artrose, ocorre uma alteração progressiva de diferentes estruturas da articulação. A cartilagem perde parte de suas características normais, o espaço articular pode diminuir e o osso localizado abaixo dela pode apresentar modificações. Também podem surgir osteófitos, conhecidos popularmente como “bicos de papagaio”.
Portanto, a artrose não deve ser entendida apenas como um “desgaste” mecânico. Ela é uma doença que envolve a cartilagem, o osso, a membrana sinovial e outras estruturas da articulação.
Essas alterações podem progredir lentamente. Entretanto, a velocidade de evolução e a intensidade dos sintomas variam bastante entre os pacientes.
Quais são os sintomas da artrose do quadril?
O principal sintoma é a dor no quadril. Em muitos casos, ela começa de maneira discreta e passa a interferir gradualmente nas atividades cotidianas.
Dor na virilha
A virilha é a localização mais característica da dor originada dentro da articulação do quadril.
Alguns pacientes apontam a região anterior da virilha ou fazem um movimento em formato de “C” com a mão ao redor do quadril para indicar onde sentem a dor.
A dor também pode se estender para:
parte anterior da coxa;
região lateral do quadril;
nádega;
joelho.
Por esse motivo, algumas pessoas inicialmente acreditam que o problema está apenas na coluna, na musculatura ou no próprio joelho.
Rigidez e perda de mobilidade
A artrose pode reduzir gradualmente a mobilidade do quadril. Movimentos de rotação e flexão costumam ficar mais limitados.
O paciente pode perceber dificuldade para:
calçar meias e sapatos;
cortar as unhas dos pés;
cruzar as pernas;
agachar;
entrar e sair do carro;
levantar de cadeiras baixas;
subir e descer escadas.
A rigidez pode ser mais evidente ao acordar ou depois de permanecer sentado por muito tempo. Em geral, a articulação parece “presa” nos primeiros movimentos.
Dor ao caminhar
Com a progressão dos sintomas, caminhar por distâncias anteriormente habituais pode se tornar difícil.
Algumas pessoas passam a reduzir passeios, compras, viagens ou atividades profissionais porque sabem que terão dor depois de permanecer muito tempo em pé.
Também pode surgir claudicação, popularmente descrita como “mancar”. Isso pode acontecer por dor, perda de mobilidade ou redução da força muscular.
Dor em repouso ou durante a noite
Nos quadros mais sintomáticos, a dor pode aparecer mesmo quando a pessoa não está apoiando o peso do corpo sobre a articulação.
A presença de dor noturna ou em repouso não confirma, isoladamente, que a artrose seja avançada. Entretanto, é um dado importante na avaliação da repercussão da doença sobre o sono e a rotina do paciente.
Estalos e sensação de atrito
Alguns pacientes relatam estalos, crepitação ou sensação de atrito durante os movimentos.
Esses sintomas podem acompanhar a artrose, mas também aparecem em pessoas sem desgaste articular significativo. Portanto, estalos isolados, sem dor ou limitação, não são suficientes para estabelecer o diagnóstico.
O que pode causar artrose no quadril?
Não existe uma única causa para todos os casos.
Em algumas pessoas, a artrose surge sem que seja possível identificar uma doença específica responsável pelas alterações. Em outras, existe uma condição prévia que contribuiu para o comprometimento da articulação.
Entre os fatores associados estão:
avanço da idade;
predisposição familiar;
excesso de peso;
lesões ou fraturas anteriores;
alterações no formato do fêmur ou do acetábulo;
displasia do quadril;
doenças que comprometem a cabeça do fêmur;
histórico de infecção ou inflamação articular.
A presença de um fator de risco não significa que a pessoa obrigatoriamente desenvolverá artrose. Da mesma forma, a doença pode ocorrer mesmo em pacientes sem fatores facilmente identificáveis.
Condições como impacto femoroacetabular, displasia e osteonecrose possuem mecanismos próprios e merecem avaliação específica.
Saiba mais em: Impacto femoroacetabular: sintomas e tratamento.
Saiba mais em: Osteonecrose da cabeça femoral.
Como é feito o diagnóstico da artrose do quadril?
O diagnóstico começa pela conversa com o paciente.
É importante compreender:
onde a dor está localizada;
quando ela começou;
quais movimentos provocam os sintomas;
quanto a dor interfere nas atividades;
quais tratamentos já foram realizados;
se existem doenças ou cirurgias anteriores.
Em pessoas com quadro característico, a combinação entre dor relacionada às atividades, rigidez de curta duração e redução funcional pode ser bastante sugestiva. A intensidade do tratamento deve ser orientada principalmente pelos sintomas e pela função, e não apenas pela aparência de um exame.
Exame físico
Durante o exame, o ortopedista pode avaliar:
maneira de caminhar;
amplitude de movimento;
força muscular;
localização da dor;
diferença entre os membros;
resposta a movimentos específicos;
sinais provenientes da coluna, dos tendões ou de outras estruturas.
A redução da rotação interna do quadril é um achado frequente, mas nenhum teste isolado confirma todos os casos.
O exame físico também ajuda a diferenciar a artrose de problemas como tendinopatias, bursite trocantérica, doenças da coluna lombar e lesões musculares.
Radiografia do quadril
A radiografia permite observar as estruturas ósseas e pode mostrar:
diminuição do espaço articular;
osteófitos;
alterações no formato da cabeça femoral;
esclerose do osso subcondral;
cistos ósseos;
deformidades da articulação.
Na prática ortopédica, as radiografias são frequentemente utilizadas para avaliar a estrutura do quadril e o grau das alterações.
Entretanto, a imagem deve ser relacionada ao quadro clínico. Existem pacientes com alterações importantes na radiografia e poucos sintomas, assim como pessoas com dor relevante e alterações radiográficas menos intensas.
Ressonância magnética é sempre necessária?
Não.
Na maioria dos casos típicos de artrose, a história clínica, o exame físico e as radiografias fornecem as informações necessárias.
A ressonância pode ser solicitada quando existe dúvida diagnóstica, quando os sintomas não correspondem às radiografias ou quando é necessário investigar outras condições, como osteonecrose, lesões do labrum, fraturas ocultas ou doenças dos tendões. Exames mais complexos não são recomendados de forma rotineira apenas para acompanhar a evolução da artrose.
Saiba mais em: Radiografia ou Ressonância do Quadril: Qual Exame é Indicado?
Como é feito o tratamento da artrose do quadril?
O tratamento deve considerar mais do que o resultado da radiografia.
Entre os fatores avaliados estão:
intensidade e frequência da dor;
perda de mobilidade;
capacidade de caminhar;
interferência no trabalho e no sono;
atividades importantes para o paciente;
condições gerais de saúde;
resposta aos tratamentos anteriores.
O objetivo inicial é controlar os sintomas, preservar a função e permitir que a pessoa mantenha uma rotina compatível com suas necessidades.
Educação e adaptação das atividades
Compreender a doença ajuda o paciente a ajustar a rotina sem abandonar toda atividade física.
Em determinados períodos, pode ser necessário reduzir movimentos que provocam dor repetidamente, alternar atividades ou dividir tarefas mais longas em etapas menores.
Isso não significa permanecer em repouso absoluto. A inatividade prolongada pode contribuir para perda de força, piora do condicionamento e aumento das limitações.
Exercícios e fisioterapia
O exercício terapêutico individualizado é um dos componentes centrais do tratamento da artrose.
O programa pode incluir melhora da mobilidade, fortalecimento dos músculos ao redor do quadril e condicionamento aeróbico. A seleção dos exercícios deve considerar o quadro clínico, a capacidade física e os objetivos de cada pessoa.
É possível que haja algum desconforto no início de um programa de exercícios. A regularidade e a adaptação progressiva tendem a ser mais importantes do que a realização de movimentos genéricos ou intensos sem orientação. Diretrizes atuais recomendam exercício terapêutico adaptado para pessoas com osteoartrite.
Este tema será detalhado em um conteúdo próprio, para não transformar este artigo geral em uma prescrição de exercícios.
Saiba mais em: Exercícios para Artrose do Quadril: O Que Pode Ajudar?
Controle do peso corporal
Para pessoas com sobrepeso ou obesidade, a redução de peso pode diminuir a carga sobre os membros inferiores e contribuir para melhora da dor e da função.
O planejamento deve ser realista e considerar alimentação, atividade física possível e condições clínicas associadas. A recomendação não deve ser utilizada para atribuir ao peso toda a responsabilidade pelos sintomas nem para adiar indefinidamente outros tratamentos necessários.
Bengala e outros dispositivos de apoio
Em alguns casos, uma bengala, muleta ou andador pode reduzir a carga sobre o quadril e tornar a caminhada mais segura.
A altura e o lado de uso fazem diferença. Quando usada para aliviar um quadril doloroso, a bengala geralmente é posicionada no lado oposto, mas a orientação deve ser individualizada.
Dispositivos de apoio não significam necessariamente piora definitiva da doença. Eles podem ser utilizados temporariamente durante períodos de maior dor ou de maneira contínua quando melhoram a segurança e a autonomia.
Medicamentos
Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser considerados em algumas situações, principalmente durante períodos de piora dos sintomas.
A escolha depende de fatores como idade, função renal, histórico de gastrite ou úlcera, doenças cardiovasculares, uso de anticoagulantes e outros medicamentos.
Anti-inflamatórios não são adequados para todas as pessoas e não devem ser utilizados continuamente sem avaliação. Quando indicados, recomenda-se a menor dose eficaz pelo menor período necessário.
Infiltrações
As infiltrações são procedimentos nos quais uma substância é aplicada dentro da articulação.
O corticoide intra-articular pode proporcionar alívio temporário em casos selecionados, mas não reconstitui a cartilagem e não modifica definitivamente a evolução da doença. Diretrizes descrevem um benefício predominantemente de curto prazo.
Outras substâncias possuem indicações e níveis de evidência diferentes. Por esse motivo, a decisão não deve ser baseada apenas no nome do produto ou em promessas de regeneração.
Saiba mais em: Infiltração no Quadril: Quando Pode Ajudar?
Saiba mais em: Ácido Hialurônico no Quadril Funciona?
Cirurgia
A cirurgia pode ser discutida quando a dor, a rigidez e a perda funcional afetam de forma importante a rotina e os tratamentos não cirúrgicos deixaram de proporcionar controle adequado ou não são apropriados.
A decisão não depende apenas da idade, do grau descrito no laudo ou da presença de osteófitos. É necessário relacionar os sintomas, as limitações, os exames e as expectativas do paciente.
Nos casos de artrose avançada e sintomática, a artroplastia total, conhecida como prótese de quadril, é o procedimento realizado com maior frequência. As superfícies comprometidas são substituídas por componentes artificiais.
A indicação cirúrgica será abordada com maior profundidade em outro artigo, preservando a intenção principal desta página.
Saiba mais em: Quando a Artrose do Quadril Precisa de Cirurgia?
Saiba mais em: Prótese de Quadril: Quando é Indicada e Como é a Recuperação.
Saiba mais em: Dor no Quadril: Sempre é Necessário Operar?
A gravidade da radiografia determina o tratamento?
Não de forma isolada.
A radiografia ajuda a identificar as alterações estruturais, mas não mede diretamente o impacto da doença na vida do paciente.
Duas pessoas com imagens semelhantes podem apresentar níveis muito diferentes de dor e limitação. Por isso, o planejamento deve considerar o conjunto formado por sintomas, exame físico, função, expectativas e condições gerais de saúde.
Tratar apenas uma radiografia pode levar tanto a intervenções desnecessárias quanto ao atraso de um tratamento útil.
Quando procurar um especialista em quadril?
Uma avaliação é indicada quando a dor:
persiste por várias semanas;
retorna com frequência;
limita a caminhada;
dificulta calçar sapatos ou entrar no carro;
provoca perda progressiva de mobilidade;
interfere no sono ou no trabalho;
não melhora com medidas iniciais;
vem acompanhada de claudicação.
Dor intensa após trauma, incapacidade de apoiar o membro, febre, articulação quente ou piora muito rápida exigem avaliação mais breve, pois podem indicar condições diferentes da evolução habitual da artrose.
Perguntas frequentes
Artrose e artrite são a mesma coisa?
Artrose é uma forma específica de doença articular, também chamada osteoartrite. O termo artrite é mais amplo e pode ser utilizado para diferentes condições que provocam inflamação ou alterações nas articulações, incluindo doenças reumatológicas, infecções e cristais.
A artrose pode afetar os dois quadris?
Sim. A artrose pode comprometer apenas um lado ou ocorrer nos dois quadris, com intensidade semelhante ou diferente.
A presença de alterações nos dois lados não significa que ambos precisarão receber o mesmo tratamento.
Uma radiografia com artrose significa que haverá dor?
Não necessariamente.
Alterações radiográficas podem existir sem sintomas relevantes. A indicação de tratamento deve ser baseada na relação entre os exames, a dor e a capacidade funcional.
Repouso é o melhor tratamento?
Em geral, não se recomenda repouso absoluto prolongado.
Pode ser necessário adaptar atividades durante períodos de maior dor, mas manter mobilidade e força dentro dos limites individuais costuma fazer parte do tratamento.
Toda artrose do quadril termina em prótese?
Não.
Muitos pacientes conseguem controlar os sintomas por períodos prolongados com tratamento não cirúrgico. A prótese é considerada quando a repercussão da doença se torna importante e as alternativas conservadoras não oferecem controle suficiente.
Conclusão
A artrose do quadril é uma doença progressiva, mas seus sintomas e sua evolução não são iguais em todas as pessoas.
Dor na virilha, rigidez, perda de mobilidade e dificuldade para caminhar são manifestações frequentes. O diagnóstico deve combinar a história clínica, o exame físico e, quando indicado, exames de imagem.
O tratamento pode envolver adaptação das atividades, exercícios terapêuticos, controle do peso, dispositivos de apoio, medicamentos, infiltrações e, em situações selecionadas, cirurgia.
A escolha não deve ser baseada apenas na idade ou no grau da radiografia. Uma avaliação individualizada permite identificar a origem dos sintomas e discutir as alternativas adequadas para cada caso.
Dr. Gabriel Benevides
Ortopedista especialista em Cirurgia do Quadril
CRM-SP 220.717 | RQE 124.963 | TEOT 20.133
Este conteúdo possui finalidade educativa e não substitui consulta médica, exame físico ou orientação individualizada.
Referências médicas
American Academy of Orthopaedic Surgeons. Osteoarthritis of the Hip.
American Academy of Orthopaedic Surgeons. The Management of Osteoarthritis of the Hip — Plain Language Summary, 2024.
National Institute for Health and Care Excellence. Osteoarthritis in over 16s: diagnosis and management — NG226
Dr. Gabriel Benevides | Ortopedia e Cirurgia de Quadril
Gabriel Benevides Valiate Martins — CRM-SP 220.717 | RQE 124.963
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