Dor Lateral no Quadril: Quais São as Causas Mais Comuns?

Entenda as principais causas da dor lateral no quadril, como bursite e tendinopatia glútea, e saiba quando procurar avaliação especializada

Dr. Gabriel Benevides

7/15/202610 min read

Mulher com dor na lateral do quadril e representação anatômica dos tendões glúteos
Mulher com dor na lateral do quadril e representação anatômica dos tendões glúteos

Dor Lateral no Quadril: Quais São as Causas Mais Comuns?

A dor lateral no quadril costuma ser percebida sobre a saliência óssea localizada na parte externa da articulação. Ela pode piorar ao deitar de lado, caminhar, subir escadas ou permanecer apoiado em uma perna.

Tendinopatia glútea e síndrome dolorosa trocantérica estão entre as causas mais frequentes, mas não são as únicas. Lesões dos tendões, ressalto externo, alterações da coluna e problemas da própria articulação também podem produzir dor nessa região. Identificar o padrão dos sintomas é mais importante do que assumir que todo caso representa “bursite”.

Índice

  • Onde fica a dor lateral do quadril?

  • Quais são as causas mais comuns?

  • O que é síndrome dolorosa trocantérica?

  • Como diferenciar tendinopatia, bursite e lesão tendínea?

  • A dor pode vir da coluna?

  • Quando a articulação pode causar dor lateral?

  • Como é feito o diagnóstico?

  • Quais exames podem ser necessários?

  • Como é o tratamento?

  • Quais são os sinais de alerta?

  • Perguntas frequentes

Onde fica a dor lateral do quadril?

A região lateral corresponde à parte externa do quadril, próxima ao grande trocânter. Essa proeminência óssea do fêmur pode ser sentida sob a pele e serve de inserção para os tendões dos músculos glúteo médio e glúteo mínimo.

Ao redor do trocânter existem bursas que reduzem o atrito entre tendões, músculos e osso. A faixa iliotibial também passa por essa área. Por isso, tecidos próximos podem participar do mesmo quadro doloroso.

A dor pode permanecer localizada ou descer pela face lateral da coxa. Essa irradiação não significa automaticamente compressão do nervo ciático. Por outro lado, dor acompanhada de formigamento, perda de sensibilidade ou fraqueza exige investigação de possíveis causas neurológicas.

Quais são as causas mais comuns de dor lateral no quadril?

As principais possibilidades incluem:

  • síndrome dolorosa trocantérica;

  • tendinopatia dos glúteos médio e mínimo;

  • irritação das bursas trocantéricas;

  • lesão parcial ou completa dos tendões glúteos;

  • síndrome do quadril em ressalto externo;

  • contusão ou distensão muscular após trauma ou esforço;

  • dor referida da coluna lombar;

  • irritação do nervo cutâneo lateral da coxa;

  • doenças da articulação do quadril com dor referida para a lateral;

  • fraturas e outras causas menos frequentes.

O local ajuda a direcionar o raciocínio, mas não define sozinho o diagnóstico.

O que é síndrome dolorosa trocantérica?

Síndrome dolorosa trocantérica é um termo abrangente para quadros de dor relacionados às estruturas que ficam ao redor do grande trocânter. Pode envolver os tendões glúteos, as bursas e o movimento da faixa iliotibial sobre o osso.

Durante muito tempo, grande parte desses casos foi chamada apenas de bursite trocantérica. Atualmente, sabe-se que alterações dos tendões glúteos são frequentes e que a inflamação isolada da bursa não explica todos os sintomas.

O padrão costuma incluir dor à palpação da lateral do quadril, incômodo ao deitar sobre o lado afetado e piora em atividades que exigem sustentação do peso em uma perna. Caminhar por longos períodos, subir escadas e levantar-se de assentos baixos também podem provocar sintomas.

Tendinopatia glútea pode causar dor lateral?

Sim. A tendinopatia dos glúteos médio e mínimo é uma causa frequente de dor lateral. Esses músculos ajudam a estabilizar a pelve durante a caminhada e quando o corpo fica apoiado em apenas uma perna.

O quadro pode surgir após aumento abrupto de caminhadas ou exercícios, mas também se desenvolver gradualmente. Compressão repetida e mudanças na carga diária podem contribuir.

Os sintomas costumam piorar ao subir escadas, caminhar em aclives, correr, ficar em pé apoiado em uma perna, cruzar as pernas ou dormir sobre o lado doloroso. Algumas pessoas também sentem dor ao deitar sobre o lado oposto, porque a perna de cima se aproxima da linha central e aumenta a compressão dos tendões.

O diagnóstico não depende apenas de um achado na ressonância. Alterações tendíneas podem existir sem sintomas, e o exame precisa demonstrar compatibilidade entre localização, atividades provocadoras, força e testes clínicos.

Saiba mais em: Tendinopatia Glútea: Sintomas e Tratamento

Bursite trocantérica é a mesma coisa?

Não exatamente. A bursite corresponde à irritação ou inflamação de uma ou mais bursas próximas ao trocânter. Ela pode produzir sensibilidade local e dor com compressão, mas muitas vezes aparece junto com tendinopatia glútea.

É importante avaliar também os tendões, a força dos abdutores, o padrão de movimento e possíveis diagnósticos associados.

Saiba mais em: Bursite Trocantérica: Sintomas, Causas e Tratamento

Lesão do glúteo médio causa fraqueza?

Pode causar. Os tendões do glúteo médio e do glúteo mínimo podem apresentar lesões parciais ou completas. Algumas surgem após trauma; outras são degenerativas e se desenvolvem ao longo do tempo.

Além da dor lateral, podem ocorrer perda de força para afastar a perna, dificuldade para permanecer apoiado no lado afetado e alteração da marcha. Em lesões mais relevantes, a pelve pode cair para o lado oposto durante o apoio, produzindo um padrão conhecido como sinal de Trendelenburg.

Saiba mais em: Lesão do Glúteo Médio: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

O quadril em ressalto pode provocar dor na lateral?

Sim. No ressalto externo, a faixa iliotibial ou fibras do glúteo máximo deslizam sobre o grande trocânter. A pessoa pode sentir ou ouvir um estalo na parte externa do quadril durante a flexão e a extensão.

O ressalto pode ser indolor e não exigir tratamento. Quando existe atrito repetitivo, porém, pode surgir dor local e irritação das estruturas peritrocantéricas. O exame dinâmico ajuda a diferenciar esse mecanismo de estalos que vêm de dentro da articulação.

Saiba mais em: Síndrome do Quadril em Ressalto: Por Que o Quadril Estala?

Dor lateral depois de queda ou exercício pode ser muscular?

Sim. Uma pancada direta pode causar contusão sobre o grande trocânter e produzir hematoma, inchaço e dor à pressão. Distensões musculares também podem ocorrer após aceleração, mudança de direção ou esforço acima da capacidade habitual.

O início costuma ter relação clara com o trauma ou a atividade. Incapacidade de apoiar o peso ou perda importante de movimento após uma queda requer avaliação.

A dor lateral no quadril pode vir da coluna?

Pode. Alterações da coluna lombar podem causar dor referida para a região glútea e lateral do quadril. Quando há comprometimento de uma raiz nervosa, podem aparecer queimação, choque, formigamento, alteração de sensibilidade ou fraqueza na perna.

Dor que começa na lombar, desce abaixo do joelho ou varia conforme movimentos da coluna aumenta a suspeita de origem lombar, mas nenhum desses sinais é absoluto. Também é possível que um problema peritrocantérico e uma alteração da coluna coexistam.

O nervo cutâneo lateral da coxa pode causar meralgia parestésica, caracterizada principalmente por ardor, dormência ou hipersensibilidade na face externa da coxa. Como esse nervo é sensitivo, fraqueza muscular não é uma manifestação esperada da condição isolada.

Saiba mais em: Dor no Quadril ou Ciática: Como Diferenciar?

Problemas da articulação podem causar dor na lateral?

Sim, embora doenças intra-articulares sejam frequentemente percebidas na virilha ou na parte anterior do quadril. Artrose, impacto femoroacetabular e lesão do labrum também podem produzir dor lateral ou uma combinação de regiões.

Rigidez para calçar sapatos, redução da rotação do quadril, dor profunda na virilha e limitação progressiva sugerem que a articulação precisa ser examinada. Em alguns pacientes, a mudança na forma de caminhar causada pela artrose também aumenta a demanda sobre os tendões laterais.

Dor ao deitar de lado sempre indica bursite?

Não. A pressão direta sobre a região pode irritar bursas e tendões glúteos. A posição também pode provocar dor em lesões tendíneas ou após uma contusão.

Quando o paciente deita sobre o lado oposto, o quadril doloroso pode ficar em adução, isto é, aproximar-se da linha central do corpo. Essa posição aumenta a compressão dos tendões contra o grande trocânter e também pode desencadear sintomas.

Uma dor contínua e progressiva, sem relação com o apoio e acompanhada de sintomas gerais, merece investigação.

Saiba mais em: Dor no Quadril ao Deitar de Lado: Por Que Acontece?

Como é feito o diagnóstico da dor lateral no quadril?

O diagnóstico começa pela história clínica. O médico avalia o ponto de maior dor, o início do quadro, atividades provocadoras, traumas, sintomas neurológicos e mudanças recentes de treino ou rotina.

No exame físico, podem ser analisados:

  • marcha e alinhamento da pelve;

  • sensibilidade sobre o grande trocânter;

  • mobilidade do quadril e da coluna;

  • força dos músculos glúteos;

  • dor durante abdução resistida;

  • equilíbrio e controle no apoio sobre uma perna;

  • reflexos, força e sensibilidade, quando há suspeita neurológica.

A palpação dolorosa e a reprodução dos sintomas contra resistência aumentam a suspeita de síndrome dolorosa trocantérica, mas nenhuma manobra define sozinha todos os casos.

Quais exames podem ser necessários?

Nem toda dor lateral precisa de ressonância. Muitos quadros podem ser reconhecidos clinicamente, especialmente quando os sintomas e o exame são típicos e não existem sinais de alerta.

Radiografia

A radiografia não mostra os tendões em detalhe, mas ajuda a avaliar artrose, formato ósseo, calcificações e possíveis fraturas. Também pode revelar diagnósticos que modificam a estratégia de tratamento.

Ultrassonografia

A ultrassonografia pode avaliar tendões e bursas e permite observar o movimento da faixa iliotibial em casos de ressalto. O resultado depende da técnica e da experiência do examinador. Achados de imagem precisam ser comparados com o quadro clínico.

Ressonância magnética

A ressonância oferece avaliação mais ampla dos tendões glúteos, músculos, bursas, ossos e articulação. Pode ser útil quando há suspeita de ruptura, sintomas persistentes, dúvida diagnóstica ou planejamento de procedimento.

Líquido em uma bursa ou alteração de sinal em um tendão não confirma isoladamente a causa da dor. A imagem deve ser correlacionada com os sintomas.

Saiba mais em: Qual Exame Detecta Problemas no Quadril?

Como é o tratamento da dor lateral no quadril?

O tratamento depende da causa. Para quadros peritrocantéricos sem ruptura relevante, costuma-se iniciar com medidas conservadoras destinadas a reduzir a irritação e recuperar a capacidade dos músculos e tendões.

O plano pode envolver:

  • ajuste temporário das atividades provocadoras;

  • modificação de posições que comprimem a lateral do quadril;

  • organização gradual da carga de caminhada, treino ou trabalho;

  • fisioterapia com fortalecimento progressivo;

  • correção de déficits de controle e função;

  • medicamentos para os sintomas, quando indicados pelo médico.

Reduzir carga não significa repouso absoluto. Atividades e progressão devem considerar dor, função e diagnóstico. Exercícios indiscriminados podem aumentar a compressão sobre os tendões.

Infiltrações podem ser consideradas em situações selecionadas, mas não substituem a investigação da causa nem a recuperação da capacidade tendínea. Cirurgia é pouco frequente e costuma ser reservada para rupturas relevantes ou sintomas persistentes com indicação específica.

Quais são os sinais de alerta?

Procure avaliação médica com maior brevidade quando houver:

  • incapacidade de apoiar o peso depois de uma queda;

  • dor intensa e perda súbita de movimento;

  • deformidade ou encurtamento aparente da perna;

  • febre, vermelhidão ou aumento importante de temperatura local;

  • fraqueza progressiva, perda de sensibilidade ou alteração do controle urinário ou intestinal;

  • dor contínua e progressiva sem relação com movimento ou posição;

  • perda de peso sem explicação ou histórico de câncer;

  • dor que persiste ou limita cada vez mais as atividades.

Esses sinais não determinam um diagnóstico específico, mas indicam a necessidade de descartar fratura, infecção, comprometimento neurológico e outras condições menos comuns.

Perguntas frequentes sobre dor lateral no quadril

Toda dor lateral no quadril é bursite?

Não. Tendinopatia glútea, lesões dos tendões, ressalto externo, alterações da coluna e dor referida da articulação também podem causar sintomas nessa região. Bursite e tendinopatia frequentemente coexistem.

Dor lateral pode descer pela coxa?

Sim. Quadros trocantéricos podem irradiar pela face lateral da coxa. Irradiação acompanhada de dormência, formigamento ou fraqueza aumenta a necessidade de avaliar nervos e coluna lombar.

Posso caminhar com dor lateral no quadril?

Em muitos casos, a caminhada pode ser mantida com ajuste de distância, velocidade e inclinação. Se a dor aumenta progressivamente durante a atividade ou permanece mais intensa depois, a carga pode estar acima da capacidade atual.

Qual posição para dormir pode reduzir a compressão?

Pode ser útil evitar apoio direto sobre o lado doloroso. Ao deitar sobre o lado oposto, um travesseiro entre os joelhos ajuda a impedir que a perna de cima caia para dentro. A resposta varia conforme a causa da dor.

Preciso fazer ressonância magnética?

Nem sempre. História e exame físico podem ser suficientes em apresentações típicas. A ressonância é mais útil quando existe dúvida, suspeita de ruptura, evolução desfavorável ou necessidade de planejamento específico.

Dor lateral no quadril precisa de cirurgia?

Na maioria das causas peritrocantéricas, o tratamento começa sem cirurgia. Procedimentos cirúrgicos são considerados em situações selecionadas, como determinadas rupturas tendíneas ou sintomas persistentes que não responderam ao tratamento adequado.

Conclusão

A dor lateral no quadril é frequentemente relacionada à síndrome dolorosa trocantérica e aos tendões glúteos, mas pode ter origem em bursas, lesões tendíneas, ressalto externo, coluna lombar ou na própria articulação.

O diagnóstico não deve ser definido apenas pelo local da dor ou por um achado de imagem. História clínica, exame físico e, quando necessário, exames complementares permitem identificar a estrutura predominante e orientar um tratamento individualizado.

Referências médicas

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