Exercícios para Artrose do Quadril: O Que Pode Ajudar?
Veja quais exercícios podem ajudar na artrose do quadril, como fortalecer a musculatura e quando adaptar ou interromper a atividade por causa da dor.
Dr. Gabriel Benevides
8/2/20268 min read


Os exercícios para artrose do quadril podem ajudar a preservar a mobilidade, fortalecer os músculos que sustentam a articulação e facilitar atividades como caminhar, levantar-se e subir escadas. Eles fazem parte do tratamento não cirúrgico, mas precisam ser adaptados aos sintomas, à força, ao equilíbrio e às condições de saúde de cada pessoa.
Não existe uma sequência única que sirva para todos. O programa mais adequado costuma combinar fortalecimento, mobilidade e atividade aeróbica, com progressão gradual. Quando a dor é intensa, o diagnóstico não está claro ou há limitação importante, a avaliação médica e fisioterapêutica ajuda a escolher exercícios mais seguros.
Índice
Por que o exercício pode ajudar?
Quais tipos de exercício são indicados?
Quais exercícios de fortalecimento podem ser utilizados?
Caminhada, bicicleta e exercícios na água ajudam?
É normal sentir dor durante ou depois?
Existem exercícios que devem ser evitados?
Quando procurar avaliação profissional?
Por que os exercícios podem ajudar na artrose do quadril?
A artrose altera a cartilagem e pode provocar dor, rigidez e redução da amplitude de movimento. Como consequência, muitas pessoas passam a usar menos a perna dolorosa. Com o tempo, essa proteção excessiva pode contribuir para perda de força, piora do equilíbrio e menor condicionamento físico.
O exercício não repõe a cartilagem desgastada. Seu objetivo é melhorar a capacidade do corpo de lidar com a articulação disponível. Músculos mais fortes ao redor do quadril e da coxa ajudam a controlar os movimentos, enquanto atividades aeróbicas preservam o condicionamento necessário para as tarefas diárias.
Diretrizes atuais recomendam exercício terapêutico individualizado para pessoas com artrose, incluindo fortalecimento local e condicionamento aeróbico. O benefício depende de regularidade, adaptação e progressão; fazer movimentos aleatórios apenas nos dias de maior dor tende a produzir menos resultado.
Saiba mais em: Artrose do Quadril: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
Quais tipos de exercício são indicados?
Um programa para artrose do quadril pode reunir três componentes principais:
fortalecimento: trabalha glúteos, músculos da coxa e musculatura do tronco;
mobilidade: busca preservar movimentos úteis sem forçar amplitudes dolorosas;
atividade aeróbica: melhora resistência, saúde cardiovascular e tolerância às atividades.
Exercícios de equilíbrio também podem ser importantes, especialmente para idosos, pessoas que mancam ou quem apresenta insegurança ao caminhar. A prioridade varia: alguém com perda de força pode precisar iniciar com movimentos simples e apoio; outra pessoa pode tolerar bicicleta, exercícios na piscina ou treino resistido mais estruturado.
Quais exercícios de fortalecimento podem ser utilizados?
Os exemplos abaixo aparecem com frequência em programas de reabilitação, mas não constituem uma prescrição individual. A técnica, a amplitude, o apoio e a resistência devem ser ajustados.
Ponte
Deitado de costas, com os joelhos dobrados, o paciente eleva suavemente a pelve. O movimento trabalha principalmente glúteos e musculatura posterior. Ele pode ser reduzido, adaptado ou substituído se causar dor na virilha, cãibra ou desconforto lombar.
Abdução do quadril
Afastar a perna para o lado, em pé com apoio ou em outra posição orientada pelo fisioterapeuta, pode fortalecer os músculos glúteos laterais. Esses músculos contribuem para a estabilidade da pelve durante a marcha.
Sentar e levantar
Levantar-se de uma cadeira e sentar-se com controle reproduz uma atividade diária e fortalece quadris e coxas. A altura do assento, o uso dos braços e a profundidade do movimento podem ser modificados conforme dor, força e equilíbrio.
Extensão do quadril em pé
Com apoio seguro, levar a perna para trás sem arquear excessivamente a coluna pode trabalhar o glúteo máximo. O movimento deve ser pequeno e controlado, evitando compensações do tronco.
A presença de uma lista de exercícios não define a qualidade do tratamento. O ponto central é escolher movimentos que tenham relação com as limitações da pessoa e progredi-los de maneira tolerável.
Exercícios de mobilidade são necessários?
Movimentos suaves podem ajudar a reduzir a sensação de rigidez e preservar amplitudes necessárias para vestir-se, entrar no carro e caminhar. Flexão, extensão e rotação do quadril, porém, não devem ser forçadas até o limite apenas para “destravar” a articulação.
Na artrose avançada, parte da perda de movimento decorre de alterações estruturais. Alongamentos agressivos podem aumentar a irritação sem recuperar uma amplitude que o formato da articulação já não permite. A mobilidade deve ser trabalhada dentro de uma faixa confortável e funcional.
Saiba mais em: Artrose do Quadril Tem Cura?
Caminhada ajuda ou piora a artrose do quadril?
A caminhada pode ser uma boa atividade aeróbica quando a distância, a velocidade e o terreno são compatíveis com os sintomas. Ela não precisa ser interrompida apenas porque existe artrose na radiografia.
Entretanto, insistir em trajetos que provocam dor crescente, mancar acentuado ou piora prolongada pode ser contraproducente. Percursos menores, pausas, terreno regular, calçado adequado e, quando indicado, bengala podem permitir atividade com menor sobrecarga.
Se caminhar é muito desconfortável, bicicleta ergométrica, exercícios aquáticos ou outras opções podem manter o condicionamento enquanto o programa de força é desenvolvido.
Bicicleta e exercícios na água podem ajudar?
A bicicleta permite movimento repetido do quadril sem o impacto de sustentar todo o peso corporal. A altura do banco e a resistência precisam ser ajustadas para evitar flexão excessiva ou esforço incompatível com a condição da pessoa.
Na piscina, a flutuação reduz parte da carga sobre as articulações. Caminhada na água e exercícios orientados podem ser úteis quando há dor ao sustentar o peso. Ainda assim, exercícios aquáticos não substituem necessariamente todo o fortalecimento realizado fora da água; as modalidades podem ser combinadas.
A melhor atividade aeróbica é aquela que a pessoa tolera, consegue praticar com segurança e tem condições de manter. Preferência, acesso e outras doenças também influenciam a escolha.
É normal sentir dor durante ou depois do exercício?
Algum desconforto pode ocorrer ao iniciar ou progredir um programa, especialmente após um período de inatividade. Isso não significa automaticamente que a articulação foi danificada. Por outro lado, dor intensa, pontada aguda, perda de estabilidade ou piora persistente não devem ser ignoradas.
A resposta nas horas seguintes também importa. Quando o exercício provoca aumento relevante dos sintomas que não retorna ao padrão habitual, costuma ser necessário rever carga, amplitude, técnica ou tipo de movimento. Reduzir a intensidade não significa abandonar toda atividade.
Como a percepção de dor e a condição articular variam, não existe um limite numérico universal. A progressão deve considerar tanto a reação imediata quanto a capacidade de realizar as atividades no restante do dia.
Existem exercícios proibidos para quem tem artrose do quadril?
Não há uma lista universal de exercícios proibidos. Um movimento pode ser bem tolerado por uma pessoa e inadequado para outra. Corrida, agachamentos, musculação ou esportes não precisam ser excluídos automaticamente apenas pelo diagnóstico.
Na prática, devem ser revistos os movimentos que provocam dor forte, perda de controle, sensação de bloqueio ou piora duradoura. Flexão profunda, rotação sob carga, saltos e impacto podem precisar de adaptação quando há artrose sintomática, mas a decisão depende do estágio, da experiência prévia e dos objetivos.
Repouso absoluto prolongado também raramente é a melhor solução, pois favorece perda de força e condicionamento. Durante crises, pode ser necessário reduzir temporariamente a carga e manter apenas o que for tolerável.
Quantas vezes por semana é preciso fazer exercícios?
A frequência depende do tipo de exercício, da intensidade e da recuperação. Fortalecimento, mobilidade e atividade aeróbica não precisam seguir exatamente o mesmo calendário.
Em vez de começar com uma meta excessiva, costuma ser mais útil construir uma rotina possível e progredir gradualmente. Um profissional pode definir resistência, repetições, pausas e frequência conforme o exame e ajustar o plano com base na resposta.
A regularidade ao longo das semanas é mais importante do que uma sessão isolada muito intensa. Os benefícios também podem diminuir quando o exercício é abandonado completamente.
É necessário fazer fisioterapia?
Nem toda pessoa precisa de acompanhamento contínuo, mas uma avaliação fisioterapêutica pode ser especialmente útil quando existe fraqueza, alteração da marcha, dificuldade para aprender os movimentos, medo de cair, outras doenças ou piora com tentativas anteriores.
O fisioterapeuta pode selecionar exercícios, corrigir a técnica e planejar a progressão. Terapia manual pode ser utilizada em alguns casos como complemento, mas não deve substituir o exercício terapêutico e a participação ativa do paciente.
Quando os exercícios não são suficientes?
Mesmo um programa bem executado não elimina o desgaste estrutural nem garante controle completo da dor. Se a limitação continua importante, o especialista deve rever o diagnóstico, a origem dos sintomas e as demais opções de tratamento.
Cirurgia pode ser discutida quando dor, rigidez e perda de função comprometem significativamente a qualidade de vida e as medidas não cirúrgicas adequadas já não oferecem benefício suficiente. A decisão não deve ser baseada apenas na radiografia nem na falha de um único exercício.
Saiba mais em: Quando a Artrose do Quadril Precisa de Cirurgia?
Quando interromper o exercício e procurar avaliação?
Procure orientação quando houver dor intensa ou progressiva, incapacidade súbita de apoiar a perna, queda ou trauma, febre associada à dor, vermelhidão ou aumento de volume, bloqueio persistente, perda importante de força ou sintomas que se irradiam acompanhados de formigamento.
Também vale reavaliar quando o programa não produz melhora funcional, quando a dor impede a progressão ou quando não está claro se o problema vem da articulação, dos tendões ou da coluna.
Perguntas frequentes
Exercício desgasta ainda mais a cartilagem?
O exercício terapêutico adaptado não é considerado uma causa de aceleração inevitável da artrose. Movimento e fortalecimento são recomendados para melhorar dor e função. O excesso de carga e a resposta individual precisam ser observados.
Alongar o quadril todos os dias é obrigatório?
Não. Mobilidade pode ser útil, mas frequência e amplitude dependem da rigidez e da tolerância. Forçar uma articulação dolorosa não é necessário para obter benefício.
Posso fazer musculação com artrose do quadril?
Muitas pessoas podem realizar musculação com adaptações de carga, amplitude e técnica. Exercícios que causam dor importante ou compensações devem ser revistos com um profissional.
Qual é o melhor exercício para artrose do quadril?
Não existe um único exercício superior para todos. O melhor programa combina atividades adequadas às limitações, aos objetivos e às preferências da pessoa e pode ser mantido com regularidade.
Conclusão
Exercícios para artrose do quadril podem melhorar força, mobilidade, condicionamento e capacidade para as atividades diárias. Fortalecimento dos glúteos e da coxa, movimentos de mobilidade e atividades aeróbicas de baixo impacto são possibilidades frequentes, mas devem ser adaptadas.
O exercício não regenera a cartilagem e não substitui uma avaliação quando os sintomas são intensos ou progressivos. Um programa individualizado, realizado com regularidade e ajustado conforme a resposta, oferece mais segurança do que seguir uma lista genérica sem considerar o quadro clínico.
Este conteúdo possui finalidade educativa e não substitui consulta médica, exame físico ou orientação individualizada.
Referências
National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Osteoarthritis in over 16s: diagnosis and management. Guideline NG226.
Kolasinski SL, et al. 2019 American College of Rheumatology/Arthritis Foundation Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee.
Osteoarthritis Research Society International (OARSI). Guidelines for the Non-Surgical Management of Knee, Hip and Polyarticular Osteoarthritis. 2019.
Cochrane Musculoskeletal. Exercise for osteoarthritis of the hip.
Agende sua consulta em Moema
O Dr. Gabriel Benevides é ortopedista especialista em Cirurgia do Quadril, com atuação especialmente voltada à prótese de quadril, além do diagnóstico, tratamento e preservação da articulação.
As consultas são realizadas de forma particular. Para pacientes que possuem plano de saúde com possibilidade de reembolso, a equipe fornece recibo e orienta sobre a documentação necessária para a solicitação. A análise e o pagamento dependem das regras de cada contrato e operadora.
CRM-SP 220.717 | RQE 124.963 | TEOT 20.133
Dr. Gabriel Benevides | Ortopedia e Cirurgia de Quadril
Gabriel Benevides Valiate Martins — CRM-SP 220.717 | RQE 124.963
Médico ortopedista especialista em Cirurgia do Quadril em São Paulo.
Consultório Moema / Indianópolis
🏥Avenida Açocê, 50, 2º Andar, Indianópolis - São Paulo/SP
📱Whatsapp: (11) 9 7878-0538
📞Telefone: (11) 4935-9945
© 2026. Todos os direitos reservados.


