Fisioterapia Após Prótese de Quadril: Quando Começar?

Entenda quando iniciar a fisioterapia após a prótese de quadril, quais são os primeiros objetivos e como os exercícios evoluem durante a recuperação.

Dr. Gabriel Benevides

7/27/20269 min read

Paciente realizando fisioterapia após prótese de quadril com supervisão profissional e ilustração anatômica do implante
Paciente realizando fisioterapia após prótese de quadril com supervisão profissional e ilustração anatômica do implante

A fisioterapia após a prótese de quadril geralmente começa no hospital, no dia da cirurgia ou nas primeiras 24 horas, desde que o paciente esteja clinicamente estável. O início costuma incluir exercícios simples, orientações para sair da cama e treino de caminhada com andador ou muletas.

Começar cedo não significa realizar exercícios intensos. Nas primeiras horas, o objetivo é recuperar movimentos básicos com segurança, prevenir complicações relacionadas à imobilidade e preparar o paciente para voltar para casa.

O programa precisa ser individualizado. A via cirúrgica, a estabilidade da prótese, a qualidade do osso, a força muscular e eventuais procedimentos adicionais influenciam quais exercícios são permitidos e a velocidade da progressão.

Índice

  • Quando começa a fisioterapia após a prótese?

  • Quais são os primeiros objetivos?

  • O que é feito ainda no hospital?

  • Como funciona a fisioterapia em casa?

  • Quais exercícios costumam ser utilizados?

  • É obrigatório fazer fisioterapia em clínica?

  • Como os exercícios evoluem?

  • Quais sinais exigem reavaliação?

Quando começa a fisioterapia após a prótese de quadril?

Quando possível, a reabilitação começa no próprio dia da operação. Diretrizes do National Institute for Health and Care Excellence (NICE) recomendam que a fisioterapia ou a terapia ocupacional seja oferecida no dia da cirurgia e, no máximo, em até 24 horas após uma artroplastia primária eletiva.

Esse primeiro contato não é uma sessão de treinamento pesado. O fisioterapeuta avalia se o paciente consegue movimentar as pernas, se a pressão arterial está estável, se a dor está controlada e se há segurança para sentar, levantar e caminhar.

O início pode ser adiado quando existem situações como:

  • tontura, náusea ou queda da pressão;

  • efeito residual da anestesia;

  • dor ainda não controlada;

  • alterações clínicas que precisam ser estabilizadas;

  • cirurgia realizada muito tarde no dia;

  • orientação específica do cirurgião para restringir a mobilização.

Adiar algumas horas por segurança não significa que a recuperação esteja atrasada. A equipe define o momento apropriado conforme a condição clínica.

Saiba mais em: Prótese de Quadril: Quando é Indicada e Como é a Recuperação

Quais são os primeiros objetivos da fisioterapia?

Na fase inicial, a fisioterapia procura recuperar a mobilidade necessária para atividades essenciais. O objetivo não é atingir força máxima ou uma amplitude completa de movimento imediatamente.

As principais metas costumam ser:

  • ensinar a entrar e sair da cama com segurança;

  • treinar como sentar e levantar de uma cadeira;

  • iniciar a caminhada com o dispositivo de apoio indicado;

  • orientar a quantidade de peso permitida na perna operada;

  • praticar escadas, quando necessário para a alta;

  • reduzir a perda de força e de mobilidade;

  • ensinar exercícios que serão continuados em casa;

  • explicar precauções específicas da cirurgia, quando prescritas;

  • prevenir quedas.

A circulação também é estimulada por movimentos dos tornozelos e pela mobilização precoce. Isso complementa, mas não substitui, medicamentos anticoagulantes, meias, compressão pneumática ou outras medidas prescritas para prevenir trombose.

O que é feito na fisioterapia ainda no hospital?

A primeira avaliação começa no leito. O fisioterapeuta observa a capacidade de contrair a musculatura, movimentar o tornozelo e controlar a perna operada. Depois, conforme a liberação, o paciente aprende a se sentar e ficar em pé.

A caminhada inicial costuma ser curta. Pode envolver apenas alguns passos ao lado da cama ou o percurso até o banheiro. Andador, muletas ou outro apoio são utilizados para melhorar o equilíbrio e respeitar a carga permitida.

Antes da alta, a equipe verifica se o paciente consegue:

  • fazer transferências essenciais com segurança;

  • caminhar uma distância suficiente para o ambiente doméstico;

  • utilizar corretamente o andador ou as muletas;

  • subir e descer degraus, caso existam em casa;

  • realizar os exercícios básicos prescritos;

  • compreender as restrições e os sinais de alerta.

O tempo de internação não determina sozinho a qualidade da recuperação. Alguns pacientes recebem alta no mesmo dia, enquanto outros permanecem uma ou mais noites por questões clínicas ou funcionais.

Saiba mais em: Cirurgia de Prótese de Quadril: Preparo e Pós-Operatório

Como funciona a fisioterapia depois da alta?

Ao sair do hospital, o paciente geralmente recebe um programa de exercícios para realizar em casa. Ele deve informar a frequência, o número de repetições e os cuidados específicos para aquela cirurgia.

Nos primeiros dias, sessões curtas e distribuídas ao longo do dia costumam ser mais adequadas do que um único treino longo. A caminhada também progride em percursos breves e frequentes, conforme tolerância e segurança.

A fisioterapia pode ocorrer de diferentes maneiras:

  • exercícios orientados realizados pelo próprio paciente;

  • atendimento domiciliar, quando há dificuldade para sair de casa;

  • consultas ambulatoriais em clínica;

  • acompanhamento remoto associado a reavaliações presenciais;

  • programas de reabilitação mais intensivos para casos selecionados.

A melhor modalidade depende da autonomia, do apoio disponível em casa, da evolução da marcha e da presença de condições que tornem o caso mais complexo.

Quais exercícios costumam ser utilizados no começo?

Os exercícios variam entre instituições e pacientes. Nos protocolos iniciais, podem ser utilizados movimentos simples para circulação, mobilidade e ativação muscular.

Movimentos dos tornozelos

Flexionar e estender os tornozelos ativa a musculatura da panturrilha e auxilia o retorno venoso. Esses movimentos costumam ser iniciados assim que o paciente recupera o controle das pernas após a anestesia.

Contrações do quadríceps e dos glúteos

Contrações isométricas ativam os músculos sem exigir grande deslocamento da articulação. O paciente contrai a musculatura por alguns segundos e relaxa, conforme a orientação recebida.

Deslizamento do calcanhar

Em alguns protocolos, o paciente desliza o calcanhar sobre a cama para dobrar suavemente o joelho e o quadril. A amplitude deve respeitar a dor e eventuais precauções.

Abdução do quadril

O movimento de afastar a perna para o lado pode ser realizado deitado ou, em fases posteriores, em pé com apoio. A execução incorreta pode levar à inclinação do tronco e reduzir o trabalho da musculatura desejada.

Extensão do joelho sentado

Estender o joelho ajuda a ativar o quadríceps. O exercício deve ser feito de forma controlada, sem movimentos bruscos.

Esses exemplos não formam uma prescrição universal. O paciente não deve copiar exercícios de vídeos ou de outra pessoa operada sem saber se são apropriados para sua cirurgia.

Caminhar substitui os exercícios de fisioterapia?

Não. Caminhar é uma parte importante da reabilitação, mas não trabalha todos os grupos musculares de forma suficiente. Uma pessoa pode aumentar a distância percorrida e ainda manter fraqueza dos músculos glúteos, dificuldade de equilíbrio ou alterações no padrão da marcha.

Os exercícios são escolhidos para objetivos específicos, como:

  • melhorar o controle da pelve;

  • fortalecer glúteos e quadríceps;

  • recuperar mobilidade dentro dos limites permitidos;

  • reduzir compensações ao caminhar;

  • treinar equilíbrio e mudanças de direção;

  • preparar o paciente para escadas e atividades funcionais.

Caminhadas muito longas no início podem aumentar dor, cansaço e inchaço sem corrigir essas limitações.

Saiba mais em: Quando Caminhar Após a Cirurgia de Prótese de Quadril?

É obrigatório fazer fisioterapia em uma clínica?

Nem todos os pacientes precisam de várias sessões presenciais em uma clínica. Após uma artroplastia primária sem complicações, algumas pessoas evoluem bem com um programa domiciliar estruturado, orientações claras e reavaliação quando necessário.

O acompanhamento supervisionado tende a ser mais importante quando existe:

  • dificuldade para compreender ou executar os exercícios;

  • marcha insegura ou risco elevado de queda;

  • fraqueza importante antes da cirurgia;

  • recuperação mais lenta que o esperado;

  • dor que impede a progressão;

  • cirurgia de revisão ou reconstrução complexa;

  • condições neurológicas ou outras limitações;

  • necessidade de retornar a atividades físicas mais exigentes.

O mais importante não é a quantidade fixa de sessões, mas atingir objetivos funcionais com segurança. A necessidade deve ser definida pela evolução do paciente.

Como a fisioterapia evolui ao longo das semanas?

A progressão ocorre por etapas. O paciente avança quando apresenta controle suficiente para o exercício atual, e não apenas porque determinado número de dias passou.

Primeiros dias

O foco está em mobilidade básica, controle da dor, caminhada com apoio, exercícios circulatórios e ativação muscular. As tarefas são simples e realizadas com frequência moderada.

Entre a segunda e a sexta semana

Os exercícios podem ganhar mais repetições e resistência leve. O treino de marcha busca reduzir o mancar, e o dispositivo de apoio pode ser retirado gradualmente quando há equilíbrio e controle adequados.

Também podem ser introduzidos exercícios em pé, transferências mais desafiadoras e atividades que reproduzem tarefas cotidianas.

Depois das primeiras semanas

Com a cicatrização e a liberação médica, o programa pode incluir fortalecimento progressivo, bicicleta ergométrica, treino de equilíbrio e atividades aeróbicas de baixo impacto.

O retorno ao esporte exige avaliação da força, do controle do movimento, do risco de queda e do impacto sobre a prótese. Ausência de dor não é o único critério.

Como saber se o exercício está adequado?

Um desconforto muscular leve pode ocorrer, especialmente ao ativar músculos que estavam enfraquecidos. Entretanto, o exercício não deve provocar perda de controle, dor intensa ou piora progressiva.

Sinais de que o volume pode estar excessivo incluem:

  • aumento importante do mancar após o treino;

  • dor que permanece muito mais forte até o dia seguinte;

  • inchaço progressivo após cada sessão;

  • dificuldade para realizar atividades que antes estavam toleráveis;

  • necessidade de compensar o movimento com o tronco;

  • sensação de instabilidade.

Nessas situações, pode ser necessário reduzir temporariamente repetições, resistência ou distância. Não é indicado abandonar todos os exercícios sem orientação, nem insistir em uma atividade que provoca dor intensa.

Quais cuidados devem ser respeitados durante a fisioterapia?

O programa deve respeitar as precauções definidas para a cirurgia. Elas podem variar conforme a via de acesso e outros fatores. Movimentos permitidos para uma pessoa podem estar temporariamente restritos para outra.

Também é importante:

  • utilizar o dispositivo de apoio até caminhar com segurança;

  • evitar superfícies instáveis sem supervisão;

  • não aumentar simultaneamente distância, repetições e carga;

  • usar calçado fechado e antiderrapante;

  • manter o ambiente livre de obstáculos;

  • respeitar a orientação sobre apoio de peso;

  • não iniciar atividades de impacto antes da liberação.

Saiba mais em: Quais Movimentos Evitar Após a Prótese de Quadril?

Quais sinais exigem avaliação médica?

A equipe deve ser comunicada quando houver piora inesperada, especialmente diante de:

  • dor intensa e súbita no quadril ou na virilha;

  • incapacidade repentina de apoiar a perna;

  • deformidade ou mudança na posição do membro;

  • queda com impacto sobre o quadril;

  • febre associada a vermelhidão, calor ou secreção na ferida;

  • inchaço importante e assimétrico na perna;

  • falta de ar ou dor no peito;

  • perda progressiva de força ou sensibilidade.

Falta de ar, dor no peito e sinais compatíveis com luxação ou trombose exigem atendimento urgente.

Perguntas frequentes

A fisioterapia começa no mesmo dia da cirurgia?

Quando o paciente está estável, ela pode começar no mesmo dia. Caso isso não seja possível, geralmente é iniciada nas primeiras 24 horas.

É normal sentir dor durante os exercícios?

Desconforto leve pode ocorrer, mas dor intensa, súbita ou crescente não deve ser ignorada. A carga precisa ser ajustada à resposta do paciente.

Quantas vezes por dia devo fazer os exercícios?

A frequência depende do programa prescrito. Exercícios diferentes podem ter quantidades distintas de repetições. Siga o plano fornecido pela equipe, sem adotar uma frequência genérica da internet.

Por quanto tempo é necessário fazer fisioterapia?

Não existe um prazo único. Exercícios básicos podem ser mantidos por várias semanas, e o fortalecimento pode continuar por meses. A duração depende dos objetivos funcionais.

Posso parar de usar o andador quando me sentir melhor?

A retirada deve considerar equilíbrio, força, ausência de compensações e segurança da marcha. Sentir menos dor não é suficiente se o paciente ainda manca ou se apoia nos móveis.

Fisioterapia antes da cirurgia ajuda?

A preparação pré-operatória pode ensinar exercícios, treinar o uso de dispositivos de apoio e melhorar a organização para a recuperação. O programa deve respeitar os sintomas e limitações existentes.

Posso fazer bicicleta depois da prótese?

A bicicleta ergométrica pode ser utilizada em determinada fase da recuperação, desde que a altura do banco, a mobilidade e a cicatrização permitam. A liberação deve ser individualizada.

Conclusão

A fisioterapia após a prótese de quadril costuma começar no hospital, no dia da cirurgia ou em até 24 horas. Inicialmente, ela se concentra em sair da cama, caminhar com apoio, realizar exercícios simples e aprender os cuidados necessários para voltar para casa.

Com a evolução, o programa passa a trabalhar força, equilíbrio, qualidade da marcha e retomada das atividades. Alguns pacientes conseguem realizar boa parte da reabilitação com exercícios domiciliares orientados; outros se beneficiam de acompanhamento presencial mais frequente.

A progressão deve ser baseada na segurança e nos objetivos funcionais. Comparar prazos com outros pacientes ou avançar exercícios sem orientação pode aumentar o risco de compensações, quedas e sobrecarga.

Referências

  • National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Joint replacement: postoperative rehabilitation.

  • American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS). Activities After Total Hip Replacement.

  • National Health Service (NHS). Recovering from a hip replacement.

  • Cambridge University Hospitals NHS Foundation Trust. Total hip replacement: advice and exercises following.

  • Leeds Teaching Hospitals NHS Trust. Exercises after hip replacement surgery.

Este conteúdo possui finalidade educativa e não substitui consulta médica, exame físico ou orientação individualizada.

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