Como é Feita a Cirurgia de Prótese de Quadril?

Entenda como é feita a cirurgia de prótese de quadril, desde a anestesia até a colocação dos componentes e os cuidados nas primeiras horas.

Dr. Gabriel Benevides

7/27/20269 min read

Componentes da prótese total de quadril posicionados na pelve e no fêmur
Componentes da prótese total de quadril posicionados na pelve e no fêmur

A cirurgia de prótese de quadril, também chamada de artroplastia total do quadril, substitui as superfícies danificadas da articulação por componentes artificiais. O procedimento não consiste em retirar todo o quadril ou todo o fêmur: são removidas a cabeça femoral e a cartilagem comprometida do acetábulo, preservando-se o máximo possível de osso saudável.

Embora a sequência geral seja semelhante, a operação é planejada de forma individual. Diagnóstico, anatomia, qualidade óssea, idade, cirurgias anteriores e características clínicas influenciam a escolha da via de acesso, do método de fixação e dos componentes.

Índice

  • O que é substituído na cirurgia de prótese de quadril?

  • Como é feito o planejamento antes da operação?

  • Qual anestesia pode ser utilizada?

  • Como o cirurgião chega até a articulação?

  • Como o acetábulo é preparado?

  • Como a parte femoral da prótese é colocada?

  • Como os componentes são fixados?

  • O que é verificado antes do fechamento?

  • O que acontece logo após a cirurgia?

  • Perguntas frequentes

O que é substituído na cirurgia de prótese de quadril?

O quadril é uma articulação formada pela cabeça do fêmur, semelhante a uma esfera, e pelo acetábulo, a cavidade da pelve onde essa cabeça se encaixa. Na artroplastia total, as duas superfícies articulares são substituídas.

A prótese costuma ter quatro partes principais:

  • componente acetabular: uma cúpula fixada na cavidade da pelve;

  • liner: revestimento colocado dentro da cúpula;

  • haste femoral: componente inserido no canal do fêmur;

  • cabeça protética: esfera encaixada na haste e articulada com o liner.

Os materiais podem incluir ligas metálicas, cerâmica e polietileno altamente reticulado. A escolha não depende apenas da idade do paciente: histórico clínico, qualidade óssea, desenho do implante e experiência com o sistema também são considerados.

Saiba mais em: Tipos de Prótese de Quadril: Materiais e Componentes

Como é feito o planejamento antes da operação?

O planejamento começa antes da internação. A avaliação inclui conversa clínica, exame físico e radiografias. Em casos selecionados, podem ser necessários tomografia, exames laboratoriais ou outros estudos.

Nas radiografias, o cirurgião avalia o formato da pelve e do fêmur, a perda de cartilagem, a qualidade do osso, o comprimento dos membros e possíveis deformidades. Com essas informações, estima o tamanho e a posição dos componentes, além de antecipar dificuldades técnicas.

A avaliação pré-operatória também procura reduzir riscos. Controle do diabetes, tratamento de infecções, revisão de medicamentos, interrupção do tabagismo e investigação de anemia podem fazer parte do preparo. A conduta varia conforme as doenças e os medicamentos de cada paciente.

Saiba mais em: Prótese de Quadril: Quando é Indicada e Como é a Recuperação

Qual anestesia pode ser utilizada?

A artroplastia pode ser realizada com anestesia geral ou com anestesia no neuroeixo, como a raquianestesia. A anestesia regional costuma ser associada à sedação, de modo que o paciente permaneça confortável durante o procedimento.

A escolha é feita pela equipe de anestesia em conjunto com o cirurgião e o paciente. Estado clínico, uso de anticoagulantes, cirurgias anteriores na coluna, preferência e protocolo hospitalar influenciam essa decisão.

Além da anestesia, podem ser utilizados antibióticos para prevenção de infecção, medicamentos para reduzir sangramento e estratégias de controle da dor. As medidas são ajustadas às condições individuais e aos protocolos de segurança.

Como começa a cirurgia de prótese de quadril?

Antes da incisão, a equipe confirma a identidade do paciente, o lado a ser operado, o procedimento planejado e os implantes disponíveis. Conferências adicionais durante a cirurgia ajudam a verificar a compatibilidade entre os componentes.

O paciente é posicionado de acordo com a via de acesso escolhida. A pele é preparada com solução antisséptica e o campo operatório é isolado com materiais estéreis.

Como o cirurgião chega até a articulação?

O quadril pode ser acessado por diferentes vias cirúrgicas. As mais conhecidas são a anterior, a lateral ou anterolateral e a posterior. Cada uma utiliza um trajeto anatômico diferente entre os músculos e tecidos ao redor da articulação.

Não existe uma única via ideal para todas as pessoas. Revisões comparativas mostram diferenças principalmente nas primeiras semanas, mas não demonstram superioridade universal de um acesso para todos os desfechos. A experiência do cirurgião, a anatomia, o diagnóstico e a complexidade do caso são fundamentais na escolha.

O tamanho da incisão também varia. Uma incisão menor não significa automaticamente menor agressão interna nem melhor resultado. O acesso precisa permitir visualização e posicionamento seguros dos componentes.

Como a cabeça do fêmur é retirada?

Depois de acessar a articulação, o cirurgião abre a cápsula articular e expõe o colo do fêmur. É realizado um corte planejado no colo femoral, e a cabeça comprometida é removida.

O nível e a orientação desse corte são importantes porque influenciam a reconstrução do comprimento, da estabilidade e da tensão dos músculos. O restante do fêmur é preservado e será preparado para receber a haste.

Como o acetábulo é preparado?

Com a cabeça femoral removida, o acetábulo fica exposto. A cartilagem desgastada e pequenas quantidades de osso são retiradas com instrumentos de formato hemisférico, chamados fresas acetabulares.

O objetivo é criar uma superfície adequada para o encaixe da cúpula sem remover osso em excesso. O componente acetabular é então inserido na posição planejada. Dependendo do sistema e da qualidade óssea, podem ser utilizados parafusos adicionais.

Dentro da cúpula é colocado o liner, que formará a superfície de movimento com a cabeça protética. Ele pode ser fabricado principalmente em polietileno ou cerâmica, conforme a combinação escolhida.

Como a parte femoral da prótese é colocada?

O canal interno do fêmur é preparado progressivamente com instrumentos do formato da haste. O cirurgião busca obter estabilidade, alinhamento e ajuste compatíveis com o planejamento, preservando o osso e evitando fraturas.

Antes dos componentes definitivos, são utilizados implantes de teste. Diferentes comprimentos de colo e tamanhos de cabeça podem ser avaliados para reconstruir a anatomia e obter estabilidade.

Após os testes, a haste definitiva é inserida. Uma cabeça metálica ou cerâmica é encaixada na parte superior da haste. A articulação é então reduzida, isto é, a cabeça protética é posicionada dentro do liner acetabular.

Como os componentes são fixados ao osso?

A fixação pode ser não cimentada, cimentada ou híbrida.

Fixação não cimentada

Os componentes são encaixados sob pressão no osso. Suas superfícies favorecem o crescimento ósseo, que proporciona fixação biológica ao longo do tempo. A estabilidade obtida durante a cirurgia é importante para esse processo.

Fixação cimentada

Um cimento ósseo, chamado polimetilmetacrilato, preenche o espaço entre o implante e o osso e fornece fixação imediata. Ele não funciona como uma cola comum; cria uma interface mecânica entre as superfícies.

Fixação híbrida

Combina técnicas diferentes, geralmente com uma haste femoral cimentada e um componente acetabular não cimentado. A escolha depende da qualidade do osso, da anatomia, do diagnóstico e do planejamento cirúrgico.

Saiba mais em: Prótese Cimentada ou Não Cimentada: Qual a Diferença?

O que o cirurgião verifica antes de fechar a incisão?

Com componentes de teste e, depois, com os definitivos, o cirurgião avalia vários aspectos:

  • estabilidade da articulação em diferentes movimentos;

  • tensão dos tecidos ao redor do quadril;

  • comprimento e simetria dos membros;

  • offset, que corresponde à distância entre o centro do quadril e o eixo do fêmur;

  • posição e fixação dos componentes;

  • ausência de conflito mecânico evidente.

Essas verificações podem utilizar referências anatômicas, instrumentos mecânicos, radiografias durante a operação, navegação ou sistemas robóticos. Nenhuma tecnologia elimina a necessidade de planejamento, julgamento clínico e execução técnica.

O objetivo não é tornar as pernas matematicamente idênticas a qualquer custo, mas equilibrar comprimento, estabilidade e função. Deformidades anteriores, alterações na coluna e diferenças já existentes podem limitar a correção possível.

Como é feito o fechamento da cirurgia?

Após a lavagem do campo operatório e o controle do sangramento, os tecidos são reparados de acordo com a via utilizada. Cápsula, fáscia, tecido subcutâneo e pele podem ser fechados em diferentes camadas.

O curativo é colocado sobre a incisão. Drenos não são obrigatórios em todos os casos e dependem da avaliação da equipe e do protocolo utilizado.

O que acontece logo após a colocação da prótese?

O paciente é encaminhado à sala de recuperação anestésica, onde são monitorados pressão, respiração, dor, sangramento e recuperação dos movimentos. Depois, pode seguir para o quarto ou, em protocolos selecionados, ter alta no mesmo dia.

A mobilização geralmente começa precocemente, com auxílio da equipe e de dispositivos como andador ou muletas. O momento para apoiar o membro depende da fixação, da qualidade óssea, de eventuais procedimentos adicionais e da orientação do cirurgião.

Radiografias de controle podem ser realizadas para documentar a posição dos componentes. Prevenção de trombose, controle da dor e fisioterapia são organizados conforme o risco e o protocolo do paciente.

A navegação ou a cirurgia robótica fazem a operação sozinhas?

Não. Sistemas de navegação e plataformas robóticas são ferramentas que podem auxiliar o planejamento e a orientação dos componentes. O cirurgião continua responsável por acessar a articulação, preparar o osso, tomar decisões e executar o procedimento.

Essas tecnologias podem aumentar a precisão de algumas medidas, mas seu impacto sobre resultados clínicos de longo prazo ainda depende do sistema, da indicação e da qualidade das evidências. Tecnologia disponível não substitui experiência, seleção adequada do paciente e técnica reprodutível.

Quais riscos existem durante a cirurgia?

Como toda operação de grande porte, a artroplastia apresenta riscos. Entre eles estão infecção, trombose, sangramento, luxação, fratura ao redor do implante, lesão de nervos ou vasos, diferença perceptível no comprimento das pernas e complicações relacionadas à anestesia.

A presença de um risco não significa que ele ocorrerá. Avaliação pré-operatória, antibióticos, controle do sangramento, prevenção de trombose, técnica cirúrgica e acompanhamento ajudam a reduzi-los. O risco individual deve ser discutido durante a consulta.

Perguntas frequentes

Todo o osso do quadril é retirado?

Não. Na artroplastia total, são removidas a cabeça femoral e a cartilagem danificada do acetábulo, além da quantidade de osso necessária para acomodar os componentes. A pelve e a maior parte do fêmur são preservadas.

A prótese é feita sob medida?

Na maioria das cirurgias primárias, o cirurgião escolhe entre diferentes tamanhos de componentes disponíveis. O planejamento estima o tamanho, mas a decisão final é confirmada durante o preparo e os testes. Implantes personalizados são reservados para situações específicas.

É obrigatório usar cimento ósseo?

Não. Existem próteses cimentadas e não cimentadas, e as duas podem apresentar bons resultados quando bem indicadas. Também é possível combinar métodos na mesma cirurgia.

A via anterior é sempre melhor?

Não. Cada via apresenta características, vantagens e limitações. A escolha deve considerar a experiência do cirurgião, a anatomia, o diagnóstico e as necessidades do procedimento.

A cirurgia sempre dura o mesmo tempo?

Não. Uma artroplastia primária costuma levar aproximadamente uma a duas horas, mas o tempo varia conforme anatomia, complexidade, via de acesso, cirurgias anteriores e necessidade de reconstruções adicionais.

O paciente pode caminhar no mesmo dia?

Em muitos protocolos, a mobilização começa no dia da cirurgia ou no dia seguinte. Isso depende da recuperação da anestesia, do controle da dor, da estabilidade clínica e da orientação da equipe.

A prótese restaura exatamente o quadril original?

O objetivo é reconstruir anatomia, estabilidade e função de forma segura. Entretanto, a articulação protética não reproduz perfeitamente todos os tecidos de um quadril natural, e o resultado depende também da musculatura, da coluna, da condição clínica e da reabilitação.

Conclusão

A cirurgia de prótese de quadril segue uma sequência planejada: avaliação da anatomia, acesso à articulação, retirada das superfícies danificadas, preparo do acetábulo e do fêmur, colocação dos componentes, testes de estabilidade e fechamento.

Apesar de existir uma estrutura comum, detalhes como via cirúrgica, fixação, materiais e uso de tecnologias auxiliares precisam ser individualizados. Compreender essas etapas ajuda o paciente a participar da decisão e a chegar à cirurgia com expectativas mais realistas.

Referências médicas

  • American Academy of Orthopaedic Surgeons. Total Hip Replacement. OrthoInfo.

  • National Institute for Health and Care Excellence. Joint replacement (primary): hip, knee and shoulder. NICE guideline NG157 e Quality Standard QS206.

  • Cha YH, Yoo JI, Kim JT, et al. Evaluation of Comparative Efficacy and Safety of Surgical Approaches for Total Hip Arthroplasty: A Systematic Review and Network Meta-analysis. JAMA Network Open. 2023.

  • Chung C, Bin Hazzaa I, Hakim R, Zywiel MG. Techniques and Technologies for the Intraoperative Assessment of Component Positioning, Leg Lengths, and Offset in Total Hip Arthroplasty: A Systematic Review. Arthroplasty Today. 2024.

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Logotipo oficial do Dr. Gabriel Benevides, clínica de ortopedia e cirurgia de quadril em São Paulo
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