Tendinopatia do Iliopsoas: Sintomas e Tratamento

Entenda os sintomas da tendinopatia do iliopsoas, como é feito o diagnóstico e quais tratamentos podem ajudar na dor anterior do quadril e virilha.

Dr. Gabriel Benevides

7/17/20269 min read

Ilustração anatômica do músculo e tendão iliopsoas com área de tendinopatia
Ilustração anatômica do músculo e tendão iliopsoas com área de tendinopatia

A tendinopatia do iliopsoas é uma possível causa de dor na parte anterior do quadril ou na virilha. O desconforto costuma aparecer em movimentos que exigem flexão do quadril, como correr, subir escadas, levantar a perna ou sair do carro.

Como essa região também pode doer por alterações da articulação, dos músculos adutores, da parede abdominal e até da coluna, o diagnóstico não deve ser baseado apenas na localização da dor ou em um exame de imagem isolado. A avaliação procura relacionar os sintomas, o exame físico e as atividades que provocam a queixa.

Índice

  • O que é o iliopsoas?

  • O que é a tendinopatia do iliopsoas?

  • Quais são os sintomas?

  • O que pode causar o problema?

  • Como é feito o diagnóstico?

  • Quais exames podem ser necessários?

  • Como é o tratamento?

  • Quando infiltração ou cirurgia podem ser consideradas?

  • Perguntas frequentes

O que é o iliopsoas?

O iliopsoas é um conjunto muscular profundo formado principalmente pelos músculos psoas maior e ilíaco. Suas fibras passam pela parte anterior do quadril e formam um tendão que se insere no pequeno trocânter, uma saliência óssea localizada na porção superior do fêmur.

Ele participa da flexão do quadril, movimento utilizado para aproximar a coxa do tronco. Também contribui para o controle da pelve e do quadril durante a caminhada, a corrida, as mudanças de direção e outras atividades.

O que é a tendinopatia do iliopsoas?

Tendinopatia é o termo utilizado para descrever dor e redução da capacidade de um tendão suportar carga. No iliopsoas, o quadro pode surgir quando a demanda imposta ao músculo e ao tendão supera sua capacidade de recuperação.

O termo “tendinite” ainda é frequente, mas nem todo quadro persistente corresponde a uma inflamação isolada. Por isso, “tendinopatia” costuma ser uma denominação mais abrangente para a condição clínica.

A tendinopatia pode coexistir com irritação da bursa do iliopsoas, estalos do tendão ou alterações dentro da articulação. Identificar qual estrutura está realmente relacionada à dor é essencial para direcionar o tratamento.

Quais são os sintomas da tendinopatia do iliopsoas?

O sintoma mais comum é a dor na região anterior do quadril ou na virilha. A intensidade e os movimentos desencadeantes variam de uma pessoa para outra.

Entre as queixas possíveis estão:

  • dor ao levantar a perna ou aproximar o joelho do tronco;

  • desconforto ao subir escadas ou caminhar em inclinações;

  • dor durante a corrida, especialmente em acelerações;

  • incômodo ao entrar ou sair do carro;

  • dor ao levantar-se de uma cadeira ou da cama;

  • sensibilidade profunda na região anterior do quadril;

  • sensação de fraqueza ou dificuldade para iniciar a flexão do quadril;

  • estalo anterior, doloroso ou indolor, em alguns casos.

A dor pode piorar após aumento recente de treino, repetição de movimentos de flexão ou períodos prolongados em posições que irritam a região. Entretanto, esses sintomas não são exclusivos do iliopsoas.

Saiba mais em: Dor na Virilha: Quando Pode Vir do Quadril?

O que pode causar a tendinopatia do iliopsoas?

Em muitos pacientes, o problema está relacionado a uma mudança na carga aplicada ao tendão. Aumento rápido da distância ou da velocidade de corrida, introdução de novos exercícios, repetição de chutes e treinos com flexão intensa do quadril são exemplos possíveis.

Outros fatores podem contribuir:

  • recuperação insuficiente entre os treinos;

  • redução da força ou do controle da pelve e do quadril;

  • retorno acelerado ao esporte após um período de inatividade;

  • movimentos repetidos em grande amplitude;

  • alterações associadas dentro ou ao redor da articulação;

  • cirurgias prévias do quadril, em situações específicas.

Não existe uma única postura ou característica anatômica que explique todos os casos. O exame precisa determinar quais fatores são relevantes para aquela pessoa, evitando atribuir a dor automaticamente a achados comuns em exames.

Tendinopatia, bursite e quadril em ressalto são a mesma coisa?

Não. O tendão do iliopsoas e sua bursa estão próximos, e os problemas podem coexistir, mas os termos descrevem situações diferentes.

Tendinopatia do iliopsoas

Refere-se à dor e à redução da tolerância do tendão à carga. Os sintomas costumam ser provocados pela contração do músculo ou por movimentos que alongam e comprimem a região.

Bursite do iliopsoas

A bursa é uma estrutura que reduz o atrito entre tecidos. Quando distendida ou irritada, pode causar dor na virilha e, em alguns casos, formar uma massa ou comprimir estruturas próximas. A bursite pode estar associada a sobrecarga, doenças da articulação e outras condições.

Quadril em ressalto interno

O ressalto ocorre quando o tendão muda rapidamente de posição durante um movimento e produz um estalo audível ou palpável. Ele pode existir sem dor. Quando o estalo é doloroso, a avaliação verifica se há irritação do iliopsoas ou outra causa associada.

Saiba mais em: Síndrome do Quadril em Ressalto: Por Que o Quadril Estala?

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela história clínica. O médico avalia onde a dor é sentida, quando começou, quais movimentos a provocam, se houve mudança de treinamento e se existem estalos, travamentos ou perda de força.

No exame físico, podem ser utilizados:

  • palpação da região do iliopsoas;

  • flexão do quadril contra resistência;

  • alongamento controlado dos flexores do quadril;

  • avaliação da mobilidade e da força;

  • análise da marcha e de movimentos relacionados ao esporte;

  • testes para investigar a articulação, os adutores, a coluna e outras fontes de dor.

A presença de sensibilidade no iliopsoas, dor ao flexionar o quadril contra resistência ou desconforto ao alongar os flexores pode aumentar a suspeita clínica. Nenhum teste isolado, porém, confirma o diagnóstico em todos os pacientes.

Quais problemas podem parecer uma tendinopatia do iliopsoas?

A dor anterior do quadril e da virilha possui várias causas possíveis. O diagnóstico diferencial pode incluir:

  • lesão do labrum;

  • impacto femoroacetabular;

  • artrose do quadril;

  • dor relacionada aos adutores;

  • hérnia ou dor inguinal;

  • lesão muscular aguda;

  • fratura por estresse;

  • dor proveniente da coluna;

  • outras causas abdominais, pélvicas ou urológicas.

Dor profunda, travamento, rigidez ou redução importante da mobilidade pode sugerir participação da articulação. Dor após trauma, incapacidade para apoiar o peso, febre ou piora progressiva também exige uma investigação mais ampla.

Saiba mais em: Lesão do Labrum do Quadril: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Saiba mais em: Impacto Femoroacetabular (IFA): Tudo o Que Você Precisa Saber Sobre Dor no Quadril

Quais exames podem ser necessários?

Nem todo paciente precisa de exame de imagem. Quando solicitado, o exame deve responder a uma dúvida clínica e ser interpretado em conjunto com os sintomas e o exame físico.

Radiografia

A radiografia não mostra bem o tendão, mas pode ajudar a avaliar a estrutura óssea, a articulação e diagnósticos associados, como artrose, displasia ou impacto femoroacetabular.

Ultrassonografia

A ultrassonografia pode avaliar o tendão e a bursa. Na modalidade dinâmica, permite observar o movimento do iliopsoas quando existe estalo. O resultado depende da técnica e deve ser relacionado à localização da dor.

Ressonância magnética

A ressonância pode demonstrar alterações do tendão, da bursa e de estruturas dentro da articulação. Achados em pessoas sem sintomas podem ocorrer; por isso, uma alteração na imagem não prova, sozinha, que o iliopsoas seja a origem da queixa.

Como é o tratamento da tendinopatia do iliopsoas?

O tratamento costuma começar de forma conservadora. O objetivo não é manter o tendão em repouso absoluto por tempo indeterminado, mas reduzir temporariamente as cargas que agravam a dor e recuperar sua capacidade de suportar as atividades.

Ajuste de carga

Corrida rápida, subidas, chutes, elevação repetida das pernas e exercícios que reproduzem a dor podem precisar de adaptação. Isso não significa necessariamente interromper toda atividade física. Alternativas toleradas podem ser mantidas enquanto a carga específica é reorganizada.

Fisioterapia e exercícios

A reabilitação pode incluir fortalecimento progressivo dos flexores do quadril, músculos glúteos, tronco e demais estruturas da cadeia de movimento. A seleção dos exercícios depende do nível de irritação, dos déficits encontrados e das atividades que o paciente pretende retomar.

A progressão deve ser gradual. Exercícios que provocam piora intensa ou prolongada após a sessão podem indicar que a carga foi excessiva. Alongar o iliopsoas de forma agressiva e repetitiva também pode aumentar os sintomas em alguns casos.

Medicamentos

Analgésicos ou anti-inflamatórios podem ser considerados em situações selecionadas, após avaliação médica. Eles podem ajudar no controle dos sintomas, mas não substituem a correção da carga nem a reabilitação.

Infiltração no iliopsoas pode ajudar?

Uma infiltração guiada por imagem ao redor do tendão ou na bursa pode ser considerada quando o diagnóstico permanece duvidoso ou quando a dor não melhora com as medidas iniciais. O anestésico pode ajudar a avaliar se a região é realmente responsável pelos sintomas; o medicamento associado depende do caso.

O procedimento não deve ser automático. Benefícios, limitações e riscos precisam ser discutidos, e a infiltração geralmente é utilizada como parte de um plano que inclui reabilitação.

Saiba mais em: Infiltração no Quadril: Quando Pode Ajudar?

Quando a cirurgia pode ser considerada?

A cirurgia é incomum para uma tendinopatia isolada do iliopsoas. Ela pode ser discutida quando existe dor persistente e limitação relevante apesar de tratamento conservador adequadamente realizado, após confirmação cuidadosa da origem dos sintomas.

O procedimento depende do problema identificado. Alongamento ou liberação parcial do tendão, tratamento de um ressalto doloroso ou correção de uma causa mecânica associada são situações diferentes e não devem ser tratadas da mesma maneira.

A redução da força de flexão, a persistência da dor e a recorrência dos sintomas estão entre os aspectos que precisam ser considerados antes de uma intervenção.

Quanto tempo leva para melhorar?

Não existe um prazo único. A recuperação depende do tempo de sintomas, da intensidade da irritação, da atividade que precisa ser retomada e da presença de outras alterações no quadril ou na pelve.

Quadros recentes e leves podem melhorar com ajustes de carga e exercícios em um período menor. Tendinopatias persistentes geralmente exigem progressão gradual ao longo de semanas ou meses. A velocidade de retorno não deve ser definida apenas pela ausência de dor em repouso, mas pela capacidade de executar as tarefas necessárias sem piora relevante.

Perguntas frequentes sobre tendinopatia do iliopsoas

A tendinopatia do iliopsoas causa estalo?

Pode causar ou coexistir com um estalo anterior, mas nem toda tendinopatia estala e nem todo estalo significa lesão do tendão. O quadril em ressalto indolor pode ocorrer sem necessidade de tratamento.

Posso continuar correndo?

Depende da intensidade dos sintomas e da resposta após o exercício. Em alguns casos, é possível reduzir distância, velocidade ou inclinação; em outros, uma pausa temporária da corrida é mais adequada. A progressão deve ser individualizada.

Devo alongar o iliopsoas?

O alongamento não é obrigatório para todos. Quando a posição comprime ou irrita o tendão, insistir em alongamentos intensos pode piorar a dor. A necessidade e a amplitude devem ser avaliadas dentro do programa de reabilitação.

A ressonância confirma o diagnóstico?

Não isoladamente. A ressonância pode mostrar alterações, mas também pode ser normal ou revelar achados sem relação direta com a dor. O diagnóstico depende da correspondência entre história, exame físico e imagem.

Tendinopatia do iliopsoas é a mesma coisa que distensão muscular?

Não. A distensão costuma ter início mais agudo, frequentemente após um movimento ou esforço específico, e envolve lesão das fibras musculares ou da junção musculotendínea. A tendinopatia geralmente está relacionada à resposta do tendão à carga ao longo do tempo, embora os quadros possam se sobrepor.

Conclusão

A tendinopatia do iliopsoas pode causar dor na parte anterior do quadril ou na virilha, especialmente em atividades que exigem flexão repetida. Como os sintomas se confundem com outras condições, a avaliação clínica e o diagnóstico diferencial são etapas importantes.

O tratamento costuma envolver ajuste temporário das atividades e fisioterapia com progressão de carga. Exames, medicamentos e infiltrações são utilizados de forma seletiva, enquanto a cirurgia fica reservada para uma pequena parcela dos casos persistentes e bem definidos.

Referências médicas

  • Doha Agreement Meeting on Terminology and Definitions in Groin Pain in Athletes. British Journal of Sports Medicine. 2015.

  • Rehabilitation of Soft Tissue Injuries of the Hip and Pelvis. International Journal of Sports Physical Therapy. 2014.

  • Conservative Management of Tendinopathies Around Hip. Muscles, Ligaments and Tendons Journal. 2016.

  • The Limited Reliability of Physical Examination and Imaging for Diagnosis of Iliopsoas Tendinitis. Arthroscopy. 2021.

  • Rauseo C. The Rehabilitation of a Runner with Iliopsoas Tendinopathy Using an Eccentric-Biased Exercise: A Case Report. International Journal of Sports Physical Therapy. 2017.

  • Iliopsoas Injections: A Systematic Review of Patient Outcomes and Progression to Surgery. Journal of Hip Preservation Surgery. 2025.

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